Blog do Daka

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Ventusky – A Previsão do Tempo Interativa do Mundo Inteiro

Por Leonardo Amaral (www.updateordie.com)

Esqueça a previsão do tempo do jornal na tv!

O VentuSky é resultado do monitoramento da empresa de meteorologia tcheca InMeteo, que analisa em intervalos bem curtos de tempo algumas variáveis ao redor do mundo.

O mais legal: o mapa apresenta movimentações de ar animadas, como uma pintura de Van Gogh em movimento. Parece menos a previsão do tempo e mais alguma experiência de imersão na obra do artista.

Além da temperatura, há a precipitação, velocidade dos ventos, pressão do ar, velocidade dos ventos, presença de nuvens e até mesmo a altitude em que a temperatura atinge 0˚C.

O Brasil como está? Com mais ou menos 15˚C no Sul e 30˚C no Norte.

ventusky_brasil

Para, comparar, nesse mapa de temperaturas, esse é o deserto do Sahara (a escala não está aparecendo nessa imagem, mas essa cor predominante é em torno de 40˚C a 50˚C).

ventusky_africa

Mas e a incidência de neve na América do Sul? Bem… em volume expressivo que possa ser captado, só no sul dos Andes.

ventusky_americadosul

É um mapa interativo bem interessante de ser percorrido e, de vez em quando, até serve para saber como anda a situação em algum lugar específico.

Abraços

Dakir Larara

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Projeto Earth – Condições climáticas em tempo real

Por Denis de Oliveira Rodrigues

O projeto “Earth” é um projeto em scripts que permite visualizar as condições climáticas globais baseadas em dados de meteorologia e que utiliza a linguagem javascript. O projeto é de autoria do engenheiro estadunidense Cameron Beccario.
Para a estatística os dados estão sendo coletados do National Centers for Environmental Prediction, NOAA e National Weather Service. A visualização das condições climáticas globais é uma previsão de supercomputadores e é atualizada a cada três horas.
O projeto “Earth” permite uma visualização fantástica do movimento global das massas de ar, ondas e correntes oceânicas, bem como dos principais eventos que influenciam todo o contexto climático. Além disso, tem uma ótima aplicação para o ensino nos seus mais diferentes níveis, podendo ser visualizado por computadores sem muitos recursos de hardware.
Páginas do Projeto Earth:
Abraços

Dakir Larara


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Segundo Metsul, agosto de 2012 foi o mais quente em Porto Alegre, desde o início das medições climatológicas de 1910

Segue na íntegra o excelente e importante artigo publicado pelo colega e amigo gremista fanático Alexandre Aguiar, membro da equipe da Metsul Meteorologia. O texto que segue está disponível em http://www.metsul.com/blog2012/. Espero que gostem da leitura.

Agosto bizarrro foi o mais quente da história em Porto Alegre

Não foi verão, mas quase. O terceiro mês mais frio da climatologia anual histórica do Rio Grande do Sul no ano de 2012 fugiu completamente ao padrão normal e apresentou o que a equipe da MetSul Meteorologia considerou um padrão atmosférico bizarro. Desvios em relação à média altos são mais comuns no inverno que no verão, mas o que se presenciou e se sentiu na pele em agosto aqui no Estado foi absolutamente insólito do ponto de vista histórico. Um número altíssimo de dias quentes e secos, o que trouxe conseqüências raras como índices de qualidade do ar inadequados na Grande Porto Alegre e o florescimento das árvores quase um mês antes da habitual, confundindo completamente a natureza (fotos de Paulo Nunes e Fabiano do Amaral do Correio do Povo).

Meses com temperatura incrivelmente acima da média, como agosto de 2012, são por demais raros. Porto Alegre teve o agosto mais quente desde o começo das medições em 1910. A média geral (composta) foi de 19,1ºC, 3,8ºC acima da normal, batendo agosto de 2001 que era o mais quente da série histórica com média de 18,7ºC. A média mínima na Capital de 14,7ºC (2,9ºC acima da normal) também é a maior em um século em agosto, batendo o recorde de 14,4ºC de 2001. A média máxima de 26,3ºC (6,0ºC acima da normal) foi a maior já vista no mês, liquidando o recorde de 2001 (25,0ºC). Exemplos do absurdo é que Bom Jesus teve uma média máxima de 21,2ºC, valor 0,9ºC acima da média máxima histórica de agosto de, atentem, Porto Alegre.

A média mínima na Capital de 14,7ºC (2,9ºC acima da normal) também é a maior em um século em agosto, batendo o recorde de 14,4ºC de 2001. A média máxima de 26,3ºC (6,0ºC acima da normal) foi a maior já vista no mês, liquidando o recorde de 2001 (25,0ºC). Exemplos do absurdo é que Bom Jesus teve uma média máxima de 21,2ºC, valor 0,9ºC acima da média máxima histórica de agosto de, atentem, Porto Alegre.

Caxias do Sul anotou uma média máxima em agosto de 2012 de 22,7ºC, acima das médias máximas de setembro (19,7ºC) e até outubro (21,6ºC) da cidade. O mesmo ocorreu em Encruzilhada do Sul com média das máximas em agosto de 24,0ºC, marca que supera as normais históricas (1961-1990) de máximas de setembro (19,5ºC) e outubro (22,3ºC), quase se aproximando da média histórica de novembro de 24,8ºC. Iraí terminou agosto (inverno) com média máxima de 27,2ºC, valor semelhante à média máxima histórica de fevereiro (verão) em Santa Vitória do Palmar que é de 27,4ºC. Campo Bom anotou 16 dias acima de 30ºC, em padrão de novembro, contra apenas dois dias com marcas acima de 30ºC em agosto do ano passado. 

Este recém findo agosto de 2012 foi muito semelhante, porém mais quente, ao que se experimentou em agosto no ano de 2001, também de marcas muito acima da média com recordes históricos que agora foram batidos. A semelhança na distribuição geográfica e intensidade das anomalias de temperatura entre agosto de 2001 e agosto de 2012 no território brasileiro, aliás, impressiona.

O grande responsável pelo calor persistente em agosto, segundo nossos meteorologistas, foi um padrão de bloqueio atmosférico entre a América do Sul e o Atlântico Sul em que a pressão atmosférica ficou acima da média entre o continente americano e a África. Com isso, frentes frias pouco progrediram e houve baixa freqüência de pulsos de ar frio nas latitudes médias. Isso determinou que agosto terminasse com chuva abaixo da média em grande parte do Estado. Foi o décimo mês seguido de chuva irregular no Estado, desde que em novembro de 2011 as precipitações começaram a ficar escassas. O bloqueio fez com que a instabilidade se mantivesse sobre o Centro da Argentina e o Uruguai. Algumas cidades da província de Buenos Aires registram o agosto mais chuvoso em, pelo menos, um século. No Noroeste gaúcho, a precipitação foi muito escassa. Desde que começou a operar a estação meteorológica em Iraí, em 1935, jamais havia sido registrado agosto tão seco. Foram ridículos 16,1 mm.

Anomalia de temperatura em agosto de 2012 em Santa Maria (gráfico) foi a maior dos últimos 12 meses, superando as de fevereiro e começo de março que já tinham sido muito altas e históricas

Curiosamente, e muito interessante, o último mês do inverno (março) nos Estados Unidos em 2012 foi o mais quente desde 1910. No mesmo ano, agosto também foi muito quente no Rio Grande do Sul com uma média mensal (composta) de 17,2ºC em Porto Alegre. O ano de 1910 foi de La Niña (condição do começo deste ano) e os meses de junho e julho tinham registrado dias muito gelados em Porto Alegre, tal como em 2012. Ocorre que em 2001, outro ano de agosto por demais quente no Rio Grande do Sul, março foi frio nas áreas onde em 2012 fez muito calor. Atribuição de causa e efeito ao fenômeno El Niño ou La Niña ou correlação simples com inverno do Hemisfério Norte, assim, por si só, não explicam o que se deu em agosto no Rio Grande do Sul.

Até que ponto um agosto tão quente se insere dentro da variabilidade natural do clima ? E até que ponto poderia ser atribuído às mudanças climáticas ou aquecimento global ? Este é um ponto dramático de se resolver e sem resposta. A ciência ainda debate se gases do efeito estuda contribuíram para eventos extraordinários de tempo quente como as ondas de calor da Europa de 2003, a épica de Moscou de 2010 ou a de março de 2012 registrada nos Estados Unidos (leia mais). Alguns estudos indicaram correlação com o aquecimento global e outros não. Trabalho americano publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciencese, em outubro de 2011, concluiu que o aquecimento local anotado em Moscou (Rússia) aumentou a expectativa de recordes por década em 500%. O estudo ainda determinou que existe 80% de chance que a onda de calor de julho de 2010 não teria se dado sem aquecimento global.

Abraços

Dakir Larara


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Radiação solar está causando redução da termosfera terrestre

Influências do Sol

Grandes mudanças na produção de energia no Sol estão causando flutuações dramáticas na camada externa da atmosfera da Terra.

A termosfera, que compreende uma faixa entre 90 e 500 km com altitude, é uma camada de gás rarefeita na fronteira com o espaço exterior. É lá que se dá o primeiro contato da radiação solar com a atmosfera da Terra.[Imagem: NASA]

Um estudo recém-publicado na revista Geophysical Research Letters, financiado pela NASA e pela National Science Foundation (NSF), faz uma associação direta entre um encolhimento recente de uma camada da alta atmosfera da Terra com uma queda acentuada nos níveis de radiação ultravioleta emitidas pelo Sol. A pesquisa indica que o ciclo magnético solar, que produz números variáveis de manchas solares ao longo de ciclos de cerca de 11 anos, pode variar mais do que se pensava anteriormente.

“Esta pesquisa apresenta um argumento convincente para a necessidade de se estudar o sistema acoplado Sol-Terra”, afirmou Farzad Kamalabadi, da NSF, “e ilustra a importância da influência solar sobre o nosso ambiente terrestre, com implicações fundamentais tanto científicas quanto em termos de consequências sociais.”

Navegação espacial

As descobertas podem ter implicações para os satélites em órbita, bem como para a Estação Espacial Internacional. Por um lado, o fato de que a camada superior da atmosfera, conhecida como termosfera, se encolhe e fica menos densa, significa que os satélites podem manter mais facilmente suas órbitas, permanecendo no espaço por mais tempo e desfrutando de uma vida útil maior. Por outro, isso indica que o lixo espacial e outros objetos que apresentam riscos para a “navegação espacial” também podem ficar por mais tempo na termosfera do que se calculava.

Termosfera

Os dados demonstraram que o que se convencionou chamar de “mínimo solar” não é uma situação padrão, mas varia de um ciclo para outro. Ou seja, os mínimos solares não são iguais entre si. A produção de energia no Sol caiu a níveis anormalmente baixos entre 2007 e 2009, um mínimo solar particularmente prolongado, durante o qual praticamente não ocorreram manchas solares ou tempestades solares.

Durante esse período de baixa atividade solar, a termosfera terrestre encolheu mais do que em qualquer momento desde que ela é monitorada, ao longo dos últimos 43 anos da chamada era espacial. A termosfera, que compreende uma faixa entre 90 e 500 km com altitude, é uma camada de gás rarefeita na fronteira com o espaço exterior. É lá que se dá o primeiro contato da radiação solar com a atmosfera da Terra. Ela geralmente esfria e se torna menos densa durante períodos de atividade solar muito baixa.

Mas a magnitude da queda de densidade da termosfera durante o mínimo solar mais recente foi cerca de 30 por cento maior do que seria de se esperar mesmo com a baixíssima atividade solar verificada.

Influência do CO2

O estudo também mostrou que a variação da termosfera sofre pouca influência do nível de dióxido de carbono ( CO2) na atmosfera terrestre. Os cálculos anteriores estimavam que o gás de efeito estufa estaria reduzindo a densidade da camada externa da atmosfera entre 2 e 5 por cento por década.

Estudando um período de 13 anos (1996 a 2008, inclusive), eles verificaram que a termosfera esfriou 41 kelvin (K) no período, com apenas 2 K atribuíveis ao aumento do dióxido de carbono. Quando à densidade da termosfera, os resultados mostraram uma diminuição de 31 por cento, com apenas 3 por cento atribuídos ao dióxido de carbono.

“Agora está claro que o recorde de baixa temperatura e densidade foram primariamente causados por níveis anormalmente baixos de radiação solar na faixa do ultravioleta extremo,” diz Stanley Solomon, um dos autores do estudo.

Super mínimos

Os pesquisadores também afirmam que seus dados indicam que o Sol pode estar passando por um período de atividade relativamente baixa de longo prazo, semelhantes aos períodos verificados no início dos séculos 19 e 20.

“Então esperamos ter ciclos solares menos intensos nos próximos 10 a 30 anos,” disse Thomas Woods, coautor do trabalho.

Esta conclusão está de acordo com dados de outra pesquisa publicada nesta semana, segundo a qual as manchas solares poderão desaparecer a partir de 2016.


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Comitê Propõe Mudanças Gerenciais e Científicas no IPCC

Reforma fundamental

O IPCC precisa reformar fundamentalmente sua estrutura gerencial e fortalecer seus procedimentos para que possa lidar com avaliações climáticas cada vez mais complexas, bem como com uma intensa demanda pública a respeito dos efeitos das mudanças climáticas globais.

A conclusão é de um comitê independente de especialistas reunido pelo InterAcademy Council (IAC), organização que reúne academias de ciências de diversos países, e está em relatório entregue nesta segunda-feira (30/8), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao presidente do conselho do IPCC, Rajendra Pachauri.

O relatório, intitulado Climate change assessments: review of the processes and procedures of the IPCC, foi produzido por 12 especialistas coordenados pelo economista Harold Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), integra o comitê indicado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), uma das academias de ciência que aprovaram o relatório.

Controvérsias científicas

Como a análise do comitê de especialistas convocado pelo IAC foi solicitada em parte por problemas no mais recente relatório do IPCC, o comitê também examinou os processos de revisão adotados pelo painel.

A conclusão é que o processo é eficaz, mas o comitê sugere que os procedimentos de revisão empregados atualmente sejam fortalecidos de modo a minimizar o número de erros. Para isso, o IPCC deveria encorajar seus editores a exercer sua autoridade de modo que todas as conclusões fossem consideradas adequadamente.

Os editores também deveriam garantir que os relatórios abordem controvérsias genuínas e que a consideração devida seja dada a pontos de vista conflitantes e propriamente bem documentados. Os autores principais deveriam documentar explicitamente que a mais completa gama de abordagens científicas foi considerada.

O uso da chamada “literatura cinza” (de trabalhos científicos não publicados ou não revisados por pares) tem sido bastante discutido, mas a análise do IAC destaca que frequentemente tais fontes de dados e informações são relevantes e apropriadas para utilização nos relatórios do IPCC.

“O IPCC já tem uma norma sobre uso criterioso de fontes de informação sem revisão por pares. O relatório do comitê de revisão confirma que esse tipo de fonte pode ser usado, desde que sejam seguidas as normas estritas já existentes e que protegem a qualidade científica das conclusões”, disse Brito Cruz.

Os problemas ocorrem quando os autores não seguem as normas do painel para a avaliação de tais fontes ou porque tais normas são muito vagas. O comitê recomenda que as normas sejam revisadas de modo a se tornarem mais claras e específicas, principalmente na orientação de que dados do tipo sejam destacados nos relatórios.

Definição das incertezas

O comitê também sugere que os três grupos de trabalho do IPCC sejam mais consistentes nos momentos de caracterizar as incertezas. No relatório de 2007, o comitê identificou que cada grupo usou uma variação diferente das normas do painel sobre incertezas e que as próprias normas não foram sempre seguidas.

O relatório do grupo de trabalho 2, por exemplo, continha conclusões consideradas como de “alta confiança”, mas para as quais havia pouca evidência. O comitê recomenda que os grupos de trabalho descrevam a quantidade de evidência disponível bem como as discordâncias entre os especialistas.

“O relatório do comitê sugere atenção para levar em consideração as diferentes opiniões baseadas em fatos com base científica e para considerar atentamente o uso da literatura científica revisada por pares em línguas que não a inglesa. A intenção é tornar o relatório o mais abrangente possível”, disse Brito Cruz.

A demora do IPCC em responder a críticas sobre as conclusões de seu relatório de 2007 faz da comunicação um assunto crítico para o painel, de acordo com o comitê de revisão.

Os 12 especialistas recomendam que o IPCC complete e implemente a estratégia de comunicação que está em desenvolvimento. Essa estratégia deve se pautar na transparência e incluir um plano de contingência para respostas rápidas e eficazes em momentos de crise.

Segundo o comitê, como o escrutínio intenso por parte dos responsáveis pela formação de políticas públicas, bem como do público em geral, deverá continuar, o IPCC precisa ser “o mais transparente possível no detalhamento de seus processos, particularmente nos seus critérios de seleção de participantes e no tipo de informação científica e técnica utilizado”, disse Shapiro.

Gerente do tempo

“O comitê fez recomendações sobre a governança do IPCC, funções e limites dos mandatos de dirigentes do painel e enfatizou o debate e a valorização de ideias contraditórias. A análise feita trata de como lidar com as incertezas e recomenda cuidado com a avaliação de impactos”, disse Brito Cruz.

A análise do IAC faz diversas recomendações para que o IPCC melhore sua estrutura gerencial, entre as quais estabelecer um comitê executivo que atue em nome do painel e garanta a manutenção de sua capacidade de tomar decisões.

“Para aumentar sua credibilidade e a independência, esse comitê executivo deveria incluir especialistas externos, não ligados ao IPCC e nem mesmo à comunidade mundial dos cientistas climáticos”, disse Shapiro.

O IPCC também deveria ter um diretor executivo que liderasse o secretariado do painel. Esse diretor seria o responsável pelas operações diárias e falaria em nome do IPCC. Segundo a análise do IAC, o atual secretário do IPCC não tem os níveis de autonomia e responsabilidade equivalentes aos dos diretores executivos de outras organizações.

Os mandatos do presidente do conselho e do novo diretor executivo também deveriam ser menores do que os dos atuais coordenadores do IPCC, limitando-se ao período de produção e divulgação de cada relatório, de modo a manter a variedade de perspectivas e o frescor das abordagens em cada relatório – o mandato atual do presidente do conselho é de até 12 anos.

A revisão do IPCC foi solicitada pelas Nações Unidas. O comitê revisou os procedimentos empregados pelo painel na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados e a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos.

“Operar sob o foco do microscópio do público da forma como o IPCC faz exige liderança firme, a participação contínua e entusiástica de cientistas destacados, capacidade de adaptação e um comprometimento com a transparência”, disse Shapiro.

O IPCC foi estabelecido em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente com o objetivo de auxiliar na formulação de políticas públicas a partir da divulgação de relatórios sobre os aspectos científicos conhecidos sobre as mudanças climáticas, os impactos globais e regionais dessas mudanças e as alternativas de adaptação e mitigação.

Conflitos de interesse

Após a divulgação de seu primeiro relatório, em 1990, o IPCC passou a ganhar a atenção e o respeito do público, a ponto de ter sido premiado com o Nobel da Paz de 2007. No entanto, com a divulgação do relatório de 2007, o painel de especialistas passou a ser alvo de questionamentos a respeito de suas conclusões.

O crescente debate público sobre a exatidão dos relatórios levou a ONU a solicitar ao IAC uma revisão do IPCC e recomendações sobre como fortalecer os procedimentos e processos do painel para os próximos relatórios.

A análise do IAC também recomenda que o IPCC adote uma política rigorosa para evitar conflitos de interesse entre as lideranças do painel, autores, revisores e responsáveis pela publicação dos relatórios.

Para a produção de sua análise, o comitê de especialistas consultou não apenas o próprio IPCC, mas também pesquisadores de diversos países que participaram na produção dos relatórios, bem como cientistas que criticaram os procedimentos adotados pelo painel em suas conclusões.

O público em geral participou da avaliação, por meio de questionários publicados na internet. O comitê também realizou diversas reuniões, inclusive no Brasil, para chegar às suas considerações.

O relatório do comitê do IAC e mais informações podem ser lidos em: http://reviewipcc.interacademycouncil.net.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br


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MIT Questiona Modelos Climáticos do IPCC

Papel dos aerossóis

Novas pesquisas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) mostram que os aerossóis não apenas esfriam, mas também aquecem o planeta – uma descoberta que pode ofuscar a validade dos modelos de mudança climática.

Exatamente o quanto a Terra se tornará mais quente como resultado das emissões de gases de efeito de estufa – e o quanto ela se aqueceu desde os tempos pré-industriais – são alvos de debates intensos.

Em seu relatório de 2007, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) órgão formado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar as mudanças climáticas, afirma que a temperatura da superfície do planeta subirá entre 1,8 e 4,0 graus Celsius até 2100, com uma melhor estimativa situando-se entre 1,1 e 6,4 graus, compreendendo os dois cenários avaliados.

Tendência para o aquecimento

No entanto, os modelos computadorizados do IPCC têm uma tendência de superestimar o aquecimento: se os modelos do IPCC estivessem corretos, hoje o planeta deveria ser mais quente do que é de fato.

O IPCC atribui a discrepância aos aerossóis – partículas microscópicas na atmosfera que são criadas tanto naturalmente (poeira soprada pelos ventos do deserto) como pela atividade humana (gotículas de líquido produzidos pela queima de combustíveis).

Como os aerossóis ajudam as gotículas das nuvens a se transformar em partículas de gelo, que refletem a luz solar de volta para o espaço, eles ajudam a esfriar a Terra e, possivelmente, reduzir o aquecimento causado pelas emissões.

Mas Richard Lindzen, professor de meteorologia do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, está entre aqueles que questionam a precisão dos modelos do IPCC, criticando sobretudo o argumento dos aerossóis.

Em um artigo publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences, Lindzen e seu colega Choi Yong-Sang sugerem que os aerossóis não apenas refrigeram o sistema Terra-atmosfera – o sistema pelo qual a atmosfera e os oceanos interagem e afetam o clima global -, mas também aquecem esse sistema.

Problema dos aerossóis

Ao descrever os potenciais efeitos antagônicos dos aerossóis a pesquisa questiona os modelos do IPCC porque, se os aerossóis de fato aquecem o planeta, eles não podem ser usados como explicação para um pretenso resfriamento real em relação ao aquecimento que os modelos estipulam. Os modelos do IPCC dizem que a Terra deveria ser mais quente do que é na realidade hoje – a explicação, diz o IPCC, deve-se aos aerossóis, que esfriam o planeta. A pesquisa do MIT afirma que os aerossóis na verdade aquecem o planeta, o que deixa os modelos do IPCC com problemas em má situação.

“Os modelos climáticos atuais geralmente superestimam o aquecimento atual e assumem que o aquecimento excessivo é cancelado pelos aerossóis”, dizem os pesquisadores em seu artigo. “[Nossa pesquisa] oferece um exemplo potencialmente importante de que o efeito secundário é de aquecimento, reduzindo assim a capacidade dos aerossóis para compensar o aquecimento excessivo nos modelos atuais.” Ou seja, o grau em que os aerossóis podem compensar as superestimativas dos modelos de aquecimento permanece em aberto, sugere a pesquisa.

Thomas Stocker, copresidente do Grupo de Trabalho I do IPCC, que está examinando os aspectos científicos físicos do sistema climático e das alterações climáticas, não quis comentar o estudo, mas disse que a pesquisa de Lindzen e Choi é parte relevante do trabalho revisado pelos pares que o grupo irá avaliar no seu Quinto Relatório de Avaliação das mudanças climáticas, a ser publicado em 2013.

Aerossóis e a formação das nuvens

Em sua pesquisa, Lindzen e Choi analisaram dados sobre a formação das nuvens e aerossóis de poeira – pequenas partículas de areia e silicato na atmosfera – que foram coletados pelo satélite climático CALIPSO, de junho de 2006 a maio de 2007.

As análises revelaram que havia cerca de 20 por cento menos partículas de nuvem “super-resfriadas” – gotículas que são uma mistura de água e gelo, mas refletem mais luz solar do que o gelo – em regiões onde os aerossóis de poeira estavam presentes. Essa diferença, sugerem Lindzen e Choi, poderia aquecer a atmosfera nessas regiões.

Segundo os pesquisadores, a redução nas partículas super-resfriadas ocorre quando os aerossóis viajam para uma camada da atmosfera onde a temperatura é de cerca de menos 20 graus Celsius, e “efetivamente matam” as gotículas super-resfriadas das nuvens, fazendo-as formar gelo. Poucas gotículas de nuvem super-resfriadas significa que as nuvens refletem menos luz solar, o que pode ter um efeito de aquecimento no clima.

Este efeito, acreditam os pesquisadores, deve ser incorporado nos modelos de mudança climática. “O IPCC assume que todos os efeitos secundários dos aerossóis sejam no aumento da reflexividade, o que tem deixado de fora um fator muito importante que pode levar ao efeito oposto”, diz Lindzen.

Incertezas da sensibilidade climática

O trabalho é importante para o debate sobre o aquecimento global porque lança luz sobre as incertezas da sensibilidade climática, que é o termo que o IPCC usa para descrever as mudanças que uma duplicação do dióxido de carbono teria sobre as temperaturas médias globais (o relatório do IPCC de 2007 prevê que a mudança deve ser entre 2 e 4,5 graus Celsius até o final do século, com uma melhor estimativa de cerca de 3 graus Celsius).

De acordo com o climatologista Trude Storelvmo, da Universidade de Yale, “o efeito dos aerossóis sobre o clima, em especial através da sua influência sobre as nuvens, representa atualmente a força mais incerta da mudança climática”.

Embora os modelos do IPCC assumam que os aerossóis resfriam o sistema Terra-atmosfera, a cientista de Yale adverte que “a menos que possamos quantificar este suposto resfriamento dos aerossóis, contrariando o aquecimento devido ao aumento dos gases estufa, não podemos dizer qual é a sensibilidade climática do sistema Terra-atmosfera.”

Como os dados dos satélites podem ser limitados, ela sugere que pesquisas futuras devem incluir medições dos aerossóis e propriedades das nuvens coletadas por instrumentos a bordo de aviões voando na atmosfera superior. Ela acha que esta combinação poderia ajudar a resolver uma questão que permanece sem resposta no artigo: por que poucas nuvens super-resfriadas foram detectadas sobre a América do Sul, ainda que o satélite não tenha detectado poeira ou aerossóis de carbono sobre aquela região.

Lindzen concorda que os cientistas do clima não podem se basear exclusivamente nas técnicas de sensoriamento remoto para obter “dados sólidos e irrefutáveis” sobre os aerossóis e as nuvens. Mesmo assim, ele está ansioso pelo lançamento de satélites e instrumentos melhores, para que ele e seus colegas possam reunir o máximo de dados possível sobre como as nuvens evoluem “de forma que possamos apontar melhor o que os aerossóis fazem.”

Até que os cientistas descubram a peça que falta no quebra-cabeças da mudança climática, será difícil prever os efeitos do aquecimento no futuro.

Fonte: Inovação Tecnológica.

Pois é… Mais lenha na fogueira na temática sobre as mudanças climáticas, hehehe!