Blog do Daka

Um espaço para compartilhar informações e estimular a reflexão.


Deixe um comentário

Como e por que foi feito o primeiro recenseamento de nuvens do Brasil?

Censo de nuvens

Para conseguir prever com precisão eventos extremos, como tempestades, ou simular cenários de impactos das mudanças climáticas, é preciso avançar no conhecimento dos processos físicos que ocorrem no interior das nuvens e descobrir a variação de fatores como o tamanho das gotas de chuva, a proporção das camadas de água e de gelo e o funcionamento das descargas elétricas.

As regiões escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipitação existentes no Brasil. [Imagem: Luiz A. T. Machado et al. – 10.1175/BAMS-D-13-00084.1]

Este é um dos objetivos de uma equipe de pesquisadores de várias universidades brasileiras e estrangeiras reunidos no “Projeto Chuva”, que realizaram uma série de campanhas para coleta de dados em seis cidades brasileiras – Alcântara (MA), Fortaleza (CE), Belém (PA), São José dos Campos (SP), Santa Maria (RS) e Manaus (AM).

As regiões escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipitação existentes no Brasil. “É importante fazer essa caracterização regional para que os modelos matemáticos possam fazer previsões em alta resolução, ou seja, em escala de poucos quilômetros,” disse Luiz Augusto Toledo Machado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Nuvens sem gelo

Para que as medições pudessem ser comparadas usadas como parâmetros nos modelos computacionais, foi utilizado um conjunto comum de instrumentos, incluindo radares de nuvens de dupla polarização.

O radar de dupla polarização, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflexão, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, ajudando a elucidar a composição das nuvens e os mecanismos de formação e intensificação das descargas elétricas durante as tempestades. Também foram coletados dados como temperatura, umidade e composição de aerossóis.

Experimentos adicionais específicos foram realizados em cada uma das seis cidades. No caso de Alcântara, o experimento teve como foco o desenvolvimento de algoritmos de estimativa de precipitação para o satélite internacional GPM (Global Precipitation Measurement), lançado em fevereiro de 2014 pela NASA e pela JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial).

“Naquela região, o grande desafio é conseguir estimar a precipitação das chamadas nuvens quentes, que não têm cristais de gelo em seu interior. Elas são comuns na região do semiárido nordestino,” explicou Machado.

Por não abrigarem gelo, a chuva dessas nuvens passa despercebida pelos sensores de micro-ondas que equipam os satélites usados normalmente para medir a precipitação, resultando em dados imprecisos. As medições de nuvens quentes feitas por radar em Alcântara, comparadas com as medições feitas por satélite, indicaram que os valores de volume de água estavam subestimados em mais de 50%.

Instrumentos utilizados no censo das nuvens. Em cima: radar, radiômetro de micro-ondas e LIDAR (“radar de laser”). Embaixo: dois pares de disdrômetros e radar de chuva. [Imagem: Projeto Chuva]

SOS Chuva

Em Fortaleza foi testado um sistema de previsão de tempestades em tempo real e de acesso aberto chamado Sistema de Observação de Tempo Severo (SOS Chuva).

“Usamos os dados que estavam sendo coletados pelos radares e os colocamos em tempo real dentro de um sistema de informações geográficas. Dessa forma, é possível fazer previsões para as próximas duas horas. E saber onde chove forte no momento, onde tem relâmpago e como a situação vai se modificar em 20 ou 30 minutos. Também acrescentamos um mapa de alagamento, que permite prever as regiões que podem ficar alagadas caso a água suba um metro, por exemplo,” contou Machado.

Em Belém os pesquisadores usaram uma rede de instrumentos de GPS para estimar a quantidade de água na atmosfera. Também foram lançados balões meteorológicos capazes de voar durante 10 horas e coletar dados da atmosfera. “O objetivo era entender o fluxo de vapor d’água que vem do Oceano Atlântico que forma a chuva na Amazônia,” contou Machado.

Relâmpagos

Na campanha de São José dos Campos, o foco era estudar os relâmpagos e a eletricidade atmosférica. Para isso, foi utilizado um conjunto de redes de detecção de descargas elétricas em parceria com a Agência de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas (NOAA), dos Estados Unidos, e a Agência Européia de Satélites Meteorológicos (Eumetsat).

“Foram coletados dados para desenvolver os algoritmos dos sensores de descarga elétrica dos satélites geoestacionários de terceira geração, que ainda serão lançados pela NOAA e pela Eumetsat nesta década. Outro objetivo era entender como a nuvem vai se modificando antes que ocorra a primeira descarga elétrica, de forma a prever a ocorrência de raios,” contou Machado.

Tempestades mais severas do mundo

Em Santa Maria, em parceria com pesquisadores argentinos, foram testados modelos matemáticos de previsão de eventos extremos. Segundo Machado, a região que abrange o sul do Brasil e o norte da Argentina que ocorrem as tempestades mais severas do mundo.

“Os resultados mostraram que os modelos ainda não são precisos o suficiente para prever com eficácia a ocorrência desses eventos extremos. Em 2017, faremos um novo experimento semelhante, chamado Relâmpago, no norte da Argentina”, contou Machado.

“Foi o primeiro recenseamento de nuvens feito no Brasil. Essas informações servirão de base para testar e desenvolver modelos capazes de descrever em detalhes a formação de nuvens, com alta resolução espacial e temporal”, concluiu o pesquisador.

Bibliografia:
The Chuva Project: How Does Convection Vary across Brazil?
Luiz A. T. Machado, Maria A. F. Silva Dias, Carlos Morales, Gilberto Fisch, Daniel Vila, Rachel Albrecht, Steven J. Goodman, Alan J. P. Calheiros, Thiago Biscaro, Christian Kummerow, Julia Cohen, David Fitzjarrald, Ernani L. Nascimento, Meiry S. Sakamoto, Christopher Cunningham, Jean-Pierre Chaboureau, Walter A. Petersen, David K. Adams, Luca Baldini, Carlos F. Angelis, Luiz F. Sapucci, Paola Salio, Henrique M. J. Barbosa, Eduardo Landulfo, Rodrigo A. F. Souza, Richard J. Blakeslee, Jeffrey Bailey, Saulo Freitas, Wagner F. A. Lima, Ali Tokay
Bulletin of the American Meteorological Society
Vol.: 95, Issue 9
DOI: 10.1175/BAMS-D-13-00084.1

Abraços e beijos!

Dakir Larara

Anúncios


Deixe um comentário

Primeiras aulas já disponíveis!!

Olá queridos alunos e alunas!!! Bom recomeço de semestre a todos nós…

Seguem as aulas iniciais de algumas disciplinas que ministro. Os arquivos estão em PPT e PDF… Basta clicar para fazer download!

Abraços e beijos!!

Dakir Larara

Dinâmica Física da Terra

Aula 1 – Introdução

Aula 2 e Aula 3 (Dinâmica Geológica)

Apostila da Disciplina

Geografia Física

Aula 1

Texto – Introdução à Geografia Física

Geografia e Sistemas Hídricos

Aula 1

Geografia Política

Aula 1


2 Comentários

Belo Monte – UFPA revisa número de atingidos por inundações para mais!!!

Estudos feitos por contratada da Norte Energia diziam que alagamento atingirá 16,4 mil pessoas na zona urbana de Altamira, mas pesquisa que adotou apenas referências aprovadas pelo IBGE indica que número de atingidos será de 25,4 mil moradores

O número de moradores de Altamira que serão impactados diretamente pela inundação do lago da usina hidrelétrica de Belo Monte poderá ser 55% maior que o registrado nos estudos de impactos ambientais do projeto, concluiu pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). O levantamento, feito a pedido do Ministério Público Federal (MPF), aponta que o total de pessoas atingidas será de 25,4 mil moradores, e não de 16,4 mil, conforme previsão registrada no relatório de impactos ambientais do projeto.

A discrepância entre os resultados é causada, em resumo, porque os cálculos foram feitos a partir de referências diferentes. Enquanto a UFPA se baseou apenas em um marco topográfico homologado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a equipe contratada pela Norte Energia S.A (Nesa) adotou uma série de outros pontos topográficos que estão desatualizados ou que não são do IBGE. Além disso, esses diversos pontos, tecnicamente chamados de Referências de Nível, não estão ligados entre si.

O ponto do IBGE utilizado nas medições feitas pela UFPA, que fica no 51º Batalhão de Infantaria de Selva, em Altamira, foi estabelecido a partir de medidas de 2009. Já alguns dos pontos do IBGE que a contratada da Nesa alega ter utilizado foram medidos em 1976. Por terem sido estabelecidos a partir de critérios técnicos não mais utilizados no país, o próprio IBGE alerta que tais pontos não são muito precisos. Além de utilizar referências ultrapassadas, a equipe contratada pela construtora de Belo Monte também fez medições com base em pontos que não são do IBGE, e sim da Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab/PA). O problema técnico criado pode ter sido causado, portanto, pelo uso de Referências de Nível heterogêneas, de fontes e épocas diferentes.

Essas duas formas de medir a altura máxima que o lago pode chegar na cidade de Altamira levaram a duas previsões diferentes. Para a UFPA, o nível de segurança de 100 metros abaixo do qual todos os moradores terão que ser retirados pode estar 90 centímetros acima do que calcularam os técnicos e empresas contratados  pela Norte Energia.

Referência internacional – Segundo os relatórios assinados pelos professores de engenharia da UFPA André Augusto Montenegro, Júlio César Aguiar, Evelyn Carvalho e Myrian Cardoso e ainda pela professora da Universidade da Amazônia Andreia Conduru Cardoso, o ponto adotado por eles na pesquisa (chamado tecnicamente de estação geodésica 99510 ou PAAT) é um marco oficial homologado pelo IBGE como referência internacional e estabelecido “dentro das mais modernas metodologias e técnicas, através de equipamentos altamente sofisticados, por equipe de profissionais de formação sólida e altíssima qualidade do IBGE”.

Em contrapartida, representantes da Nesa afirmaram em audiência pública realizada no final de 2011 na cidade de Altamira, que a referência internacional adotada pela UFPA é que é inadequada, errada em sua altura. A Nesa afirmou na ocasião que por causa do erro do IBGE, o cálculo da UFPA é que estaria incorreto. Para que a questão não fique apenas no plano teórico e a controvérsia seja resolvida antes que efetivamente as águas alcancem suas alturas máximas após a construção da barragem, produzindo danos irreparáveis, o relatório da UFPA propõe que a Nesa promova a realização de um estudo transparente e acompanhado pela sociedade.

“Trabalho que poderá ou deverá ser realizado por uma empresa ou em um projeto específico contratado pela Nesa, mas que adote referências confiáveis e seguras, sob o controle da sociedade civil que, em última análise, é quem efetivamente será impactada ou penalizada”, sugere a UFPA, em função dos altos custos que o referido trabalho demanda.

Entenda o caso:

  • Duas equipes técnicas (uma contratada pela construtora da hidrelétrica e outra da UFPA, convidada pelo MPF) utilizaram formas diferentes de calcular a altura que o lago de Belo Monte pode atingir em Altamira na máxima cheia, altura que determina também quantos e quais moradores perderão suas casas.
  • O MPF fez a solicitação de uma medição independente da cota de segurança para alagamentos diante do histórico das usinas hidrelétricas na região amazônica. Em todas houve erros graves na previsão de alagamento.
  • A UFPA diz que o lago pode chegar a um nível cerca de 90 centímetros mais alto que o nível calculado pelos pesquisadores contratados pela Norte Energia.
  • Em vez de impactar 16,4 mil pessoas, conforme cálculo dos contratados da Norte Energia, o lago inundaria uma área onde vivem 25,4 mil pessoas, segundo avaliação da UFPA.
  • Cada uma das equipes de pesquisadores defende suas conclusões dizendo que a referência ou base de cálculo utilizada pela outra equipe não é a mais adequada.
  • Para solucionar as dúvidas, o relatório da UFPA propõe que a Nesa invista em um trabalho aprofundado, rigoroso e independente, talvez a ser desenvolvido sob a tutoria ou fiscalização técnica do próprio IBGE, trabalho que possa ser acompanhado e avaliado pela sociedade. A proposta tem o apoio do MPF.

Veja na íntegra os estudos da UFPA:

* Relatório de 2012

* Relatório de 2011

* Relatório de 2010

Abraços

Dakir Larara


Deixe um comentário

Aula do dia 16/NOV da disciplina de Geografia e Sistemas Hídricos disponível!

Alô, alô alunas e alunos da disciplina de Geografia e Sistemas Hídricos!!!! Está disponível para download imediato a nossa última aula sobre Bacias Hidrográficas do Brasil. Basta clicar sobre o link para fazer o download.

=>Bacias Hidrográficas do Brasil<=

Abraços e beijos

Dakir Larara


2 Comentários

Geografia e Recursos Hídricos – Qualidade da Água

Alô, alô alunos e alunas da disciplina de Geografia e Sistemas Hídricos. Está disponível para download imediato a aula do dia 26 de outubro sobre a temática de qualidade de água. Além disso, disponibilizo também o arquivo em pdf, sobre a RESOLUÇÃO DO CONAMA Nº357.

AULA DE 26/OUT – Qualidade da Água

Resolução do CONAMA Nº357

Abraços e beijos!

Dakir Larara


Deixe um comentário

Última aula de Geografia e Sistemas Hídricos disponível!!!

Está disponível os conteúdos trabalhados na última aula da nossa disciplina. É só clicar sobre as aulas para baixá-las.

Fluviometria

Bacias Hidrográficas, Padrões de Drenagem, Vazão e Hierarquia Fluvial

Abraços e beijos!!

Dakir Larara


2 Comentários

Aula 1 de Geogafia e Sistemas Hídricos disponível!!!

Está disponível para download imediato a primeira aula de Geografia e Sistemas Hídricos. É sóclicar no link para baixá-la.

Beijos e abraços e nos encontramos na próxima aula!

=>Aula 1<=

Dakir Larara