Blog do Daka

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Alguma vez um negro inventou qualquer coisa?

Achei muito interessante esse texto… Além de esclarecedor, ele nos faz refletir sobre tudo que está aí. Como pesquisador, nunca acreditei que a resposta a essa pergunta fosse um NÃO, mas o censo comum acredita cegamente no SIM!! As civilizações africanas (incluo aqui os egípcios, além da áfrica negra) e sínicas, já estão por aí um tempão e é quase impossível que elas tenham durado todo esse tempo sem inventar se quer, uma rodinha, uma roldana ou alguma técnica de medicina. Segue o texto para a reflexão…

Texto original do site Correio Nago

A resposta inevitável deve ser não, nunca, sempre e quando você acredite na ‘história oficial’. No entanto, os fatos contam uma história diferente.

Um homem negro, por exemplo, inventou esses semáforos sem os que o mundo não pode andar e o pai da medicina não foi Hipócrates, mas Imotep, um multifacético gênio negro que viveu dois mil anos antes do médico grego. É que os europeus ainda se negam a reconhecer que o mundo não estava à espera na escuridão para que levassem a luz. A história da África já era antiga quando a Europa começou a andar.

Um mestre de ensino secundário da Gana, que visitou recentemente Londres, não poda acreditar que um homem negro tivesse inventado os semáforos. “O que?!”, perguntou com absoluta incredulidade. “Como pode um homem negro ter inventado os semáforos?!”

Bem, você pode imaginar a classe de educação que este mestre de ensino secundário ensinou e continua a ensinar a seus estudantes, não por malícia, mas por pura ignorância. Que tipo de educação recebem os africanos? Todos pensam, igual que este professor ganês, que os negros ‘não podem’ inventar nada, mas que compram as invenções dos outros.

Um novo livro de texto, “Cientistas e inventores negros”, publicado recentemente em Londres por BIS Publications, descarta totalmente a idéia que as pessoas negras não têm criatividade. Escrito em conjunto por Ava Henry y Michael Williams (ambos diretores da filial de Londres da BIS Publications), o livro está pensado para ser usado por crianças de entre 7 e 16 anos.

“Nós esperamos que os pais e mestres ajudem as crianças nesta tarefa de conhecimento e descoberta”, dizem os autores. As pessoas negras estão encontrando cada vez mais difícil entender por que, inclusive na era da abertura e liberalismo caracterizada pela Internet, continuam a negar o reconhecimento devido a inventores e cientistas negros.

E isto acontece apesar de que há documentação que prova que várias invenções importantes para o mundo têm sido obra da criatividade dos negros.

No passado

Escrevendo sobre as invenções e as descobertas africanas, Count C. Volney, o renomado historiador francês, escreveu: “Pessoas agora esquecidas descobriram, enquanto outros eram ainda bárbaros, os elementos das artes e da ciência.

Uma raça de homens agora rejeitada pela sociedade por sua pele escura e seu cabelo enroscado cimentou no estudo das leis da natureza esses sistemas civis e religiosos que ainda governam o universo”.

Ao que o Dr. John Henrik Clarke, um historiador afro-americano, acrescenta: “Primeiro, as distorções devem ser admitidas. O fato lamentável é que a maioria do que nós chamamos agora de história mundial é só a história do primeiro e segundo florescimento da Europa. Os europeus ainda não reconhecem que o mundo não estava à espera deles na escuridão para que trouxessem luz. A história da África já era antiga quando a Europa nasceu”.

O Dr. Clarke é apoiado pelo estudioso e explorador alemão Leo Frobenius, que escreveu em sua principal obra, Und Afrika Sprach, publicada em 1910: “Nessa porção do globo, o anglo-saxão Henry Morton Stanley lhes deu nome de ‘escuros’ e ‘escuríssimos’…

Mas antes das invasões estrangeiras, os africanos não viviam em grupos pequenos, mas em comunidades de 20 mil ou 30 mil habitantes, cujas estradas estavam escoltadas por esplêndidas avenidas de palmeiras, plantadas a intervalos regulares e de uma maneira ordenada”.

O trabalho de Frobenius inclusive foi melhorado por Thomas Hodgkins, um historiador britânico que escreveu depois: “Quando as pessoas falam, como ainda algumas vezes o fazem, sobre a África do sul do Saara como um continente sem história, o que eles realmente dizem é que essa porção da África tem uma história da que nós, os ocidentais, somos deploravelmente ignorantes…

Um deve admitir que ainda somos vítimas de uma mentalidade colonial: encontramos difícil de compreender que os africanos possuíssem sua própria civilização durante muitos séculos antes de que os europeus, começando pelos portugueses ao final do s. XV, concebessem a idéia de tentar vender-lhes a nossa”.

A maioria dos historiadores aceita agora que os antigos impérios africanos da Gana, Mali e Songhay* tinham desenvolvido sociedade científicas.

Em Uma História do Desenvolvimento Intelectual da Europa, publicada em 1864, J. W. Draper escreveu sobre o desenvolvimento social e artístico imensamente superior dos mouros (os negros), que bem poderiam ter visto com arrogante desprezo as moradas dos governantes da Alemanha, França e Inglaterra, que naquele tempo apenas eram melhores do que seus estábulos”.

Recentemente, o jornalista britânico de TV Jon Snow, que se fez de um nome como jornalista na África na década de 1970, ficou assombrado ao encontrar numa biblioteca em Tombuctu (Mali), pilhas de livros fechados “faz mais de 500 anos” (suas próprias palavras em câmera).

“Nós (os europeus) gostamos de pensar que foi nossa cultura a que levou os livros a África, mas aqui em minhas mãos está a evidência que demonstra o contrário. Eles nos deram os livros”, disse Snow, enquanto revisava um deles. Os documentos demonstram que as primeiras universidades da Europa foram fundadas muito depois da Universidade de Sankore, em Tombuctu, cujos professores eram todos africanos.

O Antigo Egito

Até no antigo Egito, que era essencialmente um império negro cuja grande glória tem se atribuído com malícia aos árabes, os negros foram os que iniciaram o caminho das ciências.

Sir J. G. Wilkinson admitiu em seu livro Os Antigos Egípcios (1854) “que os antigos egípcios possuíram um considerável conhecimento da química e do uso do óxidos metálicos, como ficou evidenciado nas cores aplicadas a suas peças de vidro e porcelana; e eles, inclusive, estavam familiarizados com os efeitos dos ácidos sobre as cores eram capazes de lograr matizes nas tinturas das telas utilizando métodos semelhantes aos que nós empregamos em nossos trabalhos sobre o algodão”.

Em seu livro Antigo Egito: a Luz do Mundo (1907), Gerald Massy admitiu que Imotep, o multifacético gênio negro, foi o verdadeiro “pai da medicina” e não, como se sustenta de forma errada, o médico grego Hipócrates. Imotep era um antigo egípcio que viveu aproximadamente em 2300 antes de Cristo.

Os documentos mostram que tanto a Grécia quanto a Roma tomaram seus conhecimentos de medicina dele. Ele era venerado em Roma como o “Príncipe da Paz na forma de um homem negro”. Também foi um arquiteto adiantado a seu tempo e serviu como primeiro ministro do rei Zoser.

Hipócrates, o chamado ‘pai da medicina’, viveu dois mil anos depois de Imotep. No entanto, ainda o juramento tomado aos médicos da era moderna observa um código de ética médica baseado em Hipócrates e não em Imotep.

Esta rejeição ou falta de reconhecimento das invenções e descobertas dos negros a razão pela que pessoas como o professor ganês podem dizer que os negros não inventaram nada. Invenções tais como o papel, a elaboração de sapatos, as bebidas alcoólicas, os cosméticos, as bibliotecas, a arquitetura e muitos mais têm sido obra de pessoas negras muito antes do florescimento da Europa.

Arthur Weigall (Personalidades da Antiguidade, publicado em 1928) admite que Akenaton, o monarca negro do antigo Egito, foi a primeira pessoa em predicar a crença num Deus todo-poderoso, todo amor.

“Nos primeiros anos de seu reinado -escreve Weigall- quando ainda era um rapaz, Akenaton promulgou uma doutrina que estava em seu aspecto exterior um culto dedooder invisível e intangível, chamado Aton.

Fazia-se visível para a humanidade na luz do sul, geradora de vida, mas em seu significado mais profundo, simplesmente era a crença num único Deus, todo-poderoso, pai de todas as criaturas viventes e por quem todas as coisas tinham sua razão de ser”.

Sobre Akenaton, J. A. Rogers (“Os grandes homens de cor do mundo”) escreveu: “Séculos antes do rei Davi, ele escreveu salmos tão bonitos como aqueles do monarca judeu. TTrezentosanos antes de Mohamed (chamado em Ocidente Maomé), ele ensinou a doutrina de um só Deus. Três mil anos antes de Darwin, ele se deu conta da unidade que atravessa todas as coisas vivas”.

Quando Akenaton predicava sua crença num só Deus todo-poderoso, era considerado um herético. Assim, a crença moderna num Deus onipotente, tão cara para cristão, judeus e muçulmanos, na verdade é uma consequência do pensamento de Akenaton, cujas origens são muito anteriores à era judaico-cristã.

Na era romana, um homem negro, agora esquecido, Tiro (nascido para o 103 antes de Cristo) foi o inventor da escrita taquigráfica. Vários historiadores têm lembrado de Tiro como o secretário de Marco Túlio Cicerão. Cicerão amava ditar suas cartas a Tiro, que as escrevia em método taquigráfico. Quantos séculos passaram desde o ano 63 antes de Cristo até 1837 de nossa era, quando o inglês Isaac Pitman ‘inventou’ sua taquigrafia?

Outro historiador, Charles Rollin, conta que os egípcios, a raiz das inundações provocadas pelo Nilo, estavam obrigadas a medir frequentemente seu país e para esse propósito idealizaram um método que deu origem à geometria. Esse método passou do Egito para a Grécia, e se crê que foi Thales de Mileto quem o levou numa de suas viagens.

E se algo faltava para assombro do mestre ganês, Esopo, que viveu no século 6 antes de Cristo, também era negro. Segundo Planudes o Grande, no século 14, um frei a quem devemos a forma atual das fábulas de Esopo, o descreveu “com lábios grossos e pele negra”. A influência de Esopo no pensamento e a moral ocidental é profunda. Platão, Sócrates, Aristófanes, Shakespeare, La Fontaine e outros grandes pensadores se inspiraram em sua sabedoria.

A Era Moderna

Sem dúvida, a invenção de um negro mais visível da era moderna são os semáforos. Garret Morgan, um afro-americano (nascido em Kentucky, EUA, em 4 de março de 1877), inventou o sistema automático de sinais de trânsito em 1923, e depois vendeu os direitos à corporação General Electric por 40 mil dólares.

Morgan, o sétimo de 11 irmãos, só tinham uma educação escolar elementar, mas era extremadamente inteligente. Começou sua vida de trabalhador como técnico de máquinas de coser e rapidamente inventou um sistema para aperfeiçoar as máquinas, que vendeu em 1901 em menos de 50 dólares.

Morgan também inventou a primeira máscara de gás em 1912, pela que obteve uma patente do governo norte-americano. Seguidamente criou uma companhia para fabricar as máscaras. O negócio inicialmente foi bom, sobretudo durante a I Guerra Mundial, mas quando seus clientes descobriram que ele era negro, as vendagens começaram a diminuir.

Morgan tentou enganar seus clientes racistas inventando um creme que se aplicava para alisar o cabelo e passar por índio da reserva Walpole, no Canadá. Morreu em 1963, aos 86 anos. Outro dos grandes inventores negros foi Elijah McCoy. Tinha nascido em 2 de maio de 1843 em Colchester, Ontario, Canadá. Seus pais tinham escapado da escravidão da América do Sul e foram morar no Canadá com suas 12 crianças.

Sendo jovem Elijah foi bom para a mecânica. Depois de estudar em Edimburgo (Escócia), regressou ao Canadá, mas não podia encontrar trabalho. Terminou nos Estados Unidos, onde conseguiu emprego como operário ferroviário em Detroit, Michigan. Era o encarregado de engordurar as maquinarias.

McCoy decidiu desenvolver um sistema para engordurar que não fizesse parar o funcionamento das máquinas e em 1872 inventou um sistema de gotejamento para máquinas de vapor que permitiu engordurá-las durante a marcha.

Em 1929, quando McCoy morreu, tinha mais de 50 patentes a seu nome, inclusive, uma mesa de ferro e um rociador de grama. Seu dispositivo para engordurar as máquinas de vapor cimentou a revolução industrial do século 20.

De volta a casa na África, o cientista ganês, Raphael E. Armattoe (1913-1953), candidato ao Prêmio Nobel de Medicina em 1948, encontrou a cura para a doença do verme da água da Guiné com sua droga Abochi na década de 1940. Ele também fez uma extensa investigação sobre as diferentes espécies de ervas e raízes africanas de uso medicinal.

Os inventores negros dos EUA

Só nos Estados Unidos, milhares de inventores e cientistas negros têm contribuído enormemente ao desenvolvimento nacional, além do mundial, sem nenhum reconhecimento. Esta é uma pequena mostra de inventores negros dos Estados Unidos na era moderna:

Em medicina, Charles R. Drew foi o pioneiro no desenvolvimento do banco de sangue. Em 1940, seu trabalho com o plasma e armazenagem abriu o caminho para o desenvolvimento dos bancos de sangue nos Estados Unidos. Em 1935, o Dr. William Hinton publicou o primeiro manual médico escrito por um afro-americano, baseado em sua investigação da sífilis.

O físico Lloyd Quarteman jogou um papel transcendental na equipe científica norte-americana que desenvolveu o primeiro reator nuclear na década de 1930 e iniciou a era atômica no mundo. Outro físico, Roberto E. Shurney, desenvolveu os pneumáticos de malha de arame para o robô da Apolo XV que tocou a superfície da lua em 1972.

George Washington Carver, um gênio agrícola, desenvolveu novos métodos de cultivo que salvaram a economia do sul dos Estados Unidos na década de 1920. Em 1927 fez imensas melhoras ao processo de fabricação de pinturas e colorantes. Também investigou ampliamente a terra e as doenças das plantas e desenvolveu 325 produtos derivados do amendoim, entre eles tintas, alimentos e produtos cosméticos.

Jan Ernst Matzeliger (1852-1889) inventou a ‘máquina sem fim’ que impactou grandemente na indústria dos sapatos do mundo. Obteve uma patente do governo em 1883. após vendeu os direitos à firma Consolidated Hand Method Lasting Machine Co. Quando morreu, em 1889, tinha outras 37 patentes a seu nome. Foi honrado pelos Estados Unidos em 1992 com um selo de correios com seu retrato.

O Dr. Ernest E. Just (1883-1941) estudou a fertilização e a estrutura celular do ovo antes da I Guerra Mundial. Ele deu ao mundo a primeira visão da arquitetura humana ao explicar como trabalham as células.

Granville T. Woods (1856-1910) inventou um novo transmissor do telefone que revolucionou a qualidade e distância à que podia viajar o som. A companhia de telefones Bell comprou a patente de Woods, cujo trabalho mais memorável foi a melhora que logrou para os trens.

Primeiramente, ele inventou o “sistema de telegrafia ferroviário”, que permitiu enviar mensagens de trem a trem, mas em 1888 melhorou seu invento com um sistema que permitiu eletrificar os trens. Mais? A lista é inesgotável. Vejamos alguns outros inventores negros.

Richard Spikes desenvolveu a caixa de câmbios automáticos para os automóveis em 1932. George Carruthers, um astro-físico da NASA, desenvolveu a câmera remota ultravioleta que se usou na missão da Apolo XVI e que permitiu ao mundo ter uma visão das crateras da lua na década de 1960. Sua combinação de telescópio e câmera é ainda usada nas missões dos transbordadores.

Em 1986, a Dra. Patricia E. Bath, uma oftalmologista, inventou um dispositivo laser que tem se usado desde então na cirurgia de cataratas.

Em 1989 o Dr. Philip Emeagwali, um imigrante nigeriano nos Estados Unidos, realizou o cálculo de computador mais rápido do mundo, uma assombrosa operação de 3,1 bilhões de cálculos por segundo. Seu aporte tem mudado a maneira de estudar o aquecimento global e as condições do tempo e também tem ajudado a determinar como o petróleo flui sob a terra.

O Dr. Daniel Hale Williams foi primeiro em realizar, em 1893, uma operação de coração num homem. O químico Percy L. Julian, “um dos maiores cientistas do século 20″, segundo a revista Ébano, abriu o caminho para o desenvolvimento do tratamento do mal de Alzheimer e do glaucoma com seus experimentos em 1933.

“Sua investigação na síntese da fisostigmina, uma droga para tratar o glaucoma, determinou que melhora a memória dos pacientes do mal de Alzheimer e serviu como antídoto do gás nervoso”, segundo Ébano.

Benjamim Banniker foi o primeiro inventor afro-americano notável. Ele fez o primeiro relógio nos Estados Unidos e experimentou em astrologia. Depois, foi assistente do francês La Flan, que planejou a cidade de Washington.

Quando La Flan deixou o país desencantado com os norte-americanos, Banniker recordou os planos e virou o verdadeiro responsável do desenho da cidade, uma das poucas dos Estados Unidos com ruas suficientemente amplas como para permitir o passo de dez automóveis ao mesmo tempo.

*Os songhay foram um povo negro-africano da beira do rio Níger meio, mistura entre tuareg e fulbe. No século 7 ou 8 criaram um império com capital em Kukya e depois em Gao (1010). Controlavam as rotas das caravanas do Saara central, que levavam a Tumbuctu o ouro do Sudão e regressavam com sal das salinas de Tombuctu, no norte do Saara. Em 1591 o império foi destruído pelos marroquinos.

*Este artigo foi elaborado por Cientistas Negros e Inventores e editado no Reino Unido por BIS Publications

Por Ava Henry y Michael Williams*

Fonte: correionago.com.br

Dakir Larara

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Dakir Larara


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Hiato do aquecimento global gera polêmica no painel do clima em Estocolmo, na Suécia.

Reunido em Estocolmo, na Suécia, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) dilvulgou na sexta-feira (27 de setembro de 2013)  um relatório crucial, mas permeado de polêmicas, sobre o aquecimento global.

Por um lado, há um relativo consenso dos membros do IPCC sobre o impacto da atividade humana no aumento da temperatura global. Segundo o painel, há hoje 95% de certeza de que “a influência humana no clima é responsável por mais da metade dos aumentos médios de temperatura observados entre 1951 e 2010”.

No entanto, a polêmica se intensifica quando a discussão gira em torno da desaceleração do aquecimento, que vem ocorrendo desde 1998, com muitos demandando mais explicações sobre o fenômeno.

Desde 2007, há um crescente foco no fato de que as temperaturas médias globais não terem subido acima do recorde histórico, em 1998.

Hiato, pausa ou reversão da tendência de aquecimento global? Cientistas estão em uma verdadeira batalha na Suécia para definir o que dizer ao mundo sobre o clima. [Imagem: MET Office]

No rascunho, o painel concorda que “a taxa de aquecimento nos últimos 15 anos é mais baixa do que as tendências anteriores.” Essa desaceleração, ou hiato, como o IPCC classifica a reversão na tendência, tem sido usada como argumento para dizer que está errada a “crença científica” de que a emissão de gás carbônico na atmosfera aumenta a temperatura do planeta.

Para alguns, essa conclusão sobre o impacto negativo das emissões de gás carbônico é exagerada. No entanto, a polêmica se dá porque a maioria dos cientistas concorda que o aquecimento tem-se mantido linear nesse período, mas justamente porque a maior parte do calor teria ido para o oceano.

Sendo assim, a superfície terrestre estaria, sim, enfrentando uma pausa no aquecimento, mas porque a energia presa pelos gases do efeito estufa estaria ficando submersa debaixo da superfície do oceano, “transferindo” o aumento de temperaturas.

Mas as tensões se agravam porque os cientistas estão longe de um consenso sobre os mecanismos envolvidos nesse processo – por que o calor teria começado a ir para o oceano.

Cautela

Pesquisadores de todo mundo estão trabalhando para analisar estudos e produzir um documento que represente o estado atual do aquecimento global. No dia 24 de setembro foi divulgado a primeira parte desse amplo relatório, que focou a ciência por trás das mudanças de temperatura na atmosfera, nos oceanos e nos pólos. Novas estimativas foram fornecidas sobre a escala do aquecimento global e seu impacto nos níveis do mar e nas camadas de gelo.

Porém, muitos cientistas ao redor do mundo, que não estão diretamente ligados ao IPCC, como o Dr. Roy Spencer (Professor e Pesquisador da Universidade do Alabama, EUA, e atual Pesquisador Senior da NASA sobre Estudos Climáticos) e a PhD Judith A. Curry (Professora de Ciências Atmosféricas e da Terra, Pesquisadora do Instituto de Tecnologia da Georgia, EUA), discordam completamente da CIÊNCIA que fundamenta as teses produzidas pelo IPCC sobre as mudanças climáticas.

Ao contrário do que a mídia insiste em nos colocar, não existe consenso científico e acadêmico sobre as causas do aquecimento global. E esses cientistas citados acima, como muitos outros ao redor do mundo e até mesmo no Brasil, como o Professor Dr. Luiz Carlos B. MOLION, estão na contra-mão do discurso do IPCC, fazendo esse contra-ponto com muitos argumentos interessantes e que nos fazem refletir.

Fonte: inovacaotecnologica.com.br

Abraços

Dakir Larara


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Estudos brasileiros mostram imprecisão (para menos) em dados do IPCC! E adivinhem… Não foi do INPE…

O Laboratório de Biogeoquímica Ambiental da USP divulgou dois estudos que divergem acentuadamente dos dados padrão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão mundial que estuda as mudanças climáticas globais.

Os agrônomos Arlete Simões Barneze e Gregori Ferrão analisaram as emissões do óxido nitroso (N2O), considerado um dos principais causadores do aquecimento global, apresentando capacidade de aquecimento global cerca de 300 vezes superior ao “famigerado” dióxido de carbono (CO2).

Simões desenvolve sua pesquisa de mestrado orientada pelo professor Carlos Cerri. Os estudos de Ferrão compõem sua tese de doutorado, orientada pela professora Brigitte Feigl.

“Muitas das informações utilizadas pelo IPCC são coletadas e produzidas em regiões de clima temperado. Esse fato produz certa imprecisão em relação à realidade do Brasil, que é um país de clima tropical, em quase sua totalidade”, afirma o professor Carlos Cerri.

No Brasil, a emissão de N2O tem um grande impacto devido, principalmente, às características da pecuária de corte brasileira.

“Ao pastar, o animal aproveita o nitrogênio contido nas plantas como proteína vegetal e converte em proteína animal para o seu desenvolvimento. Porém, essa conversão não é muito eficiente e quase 80% dos compostos nitrogenados ingeridos são eliminados pela urina”, explica Arlete.

Como o Brasil possui um rebanho superior a 200 milhões de cabeças, 40% das emissões de N2O dos animais em pastagens provêm da urina, contra apenas 7% provenientes dos fertilizantes à base de nitrogênio.

E é aqui que a disparidade com os dados do IPCC aparecem, pois, para o Painel sobre Mudanças Climáticas, a emissão do óxido nitroso proveniente da urina bovina é 2% do nitrogênio aplicado no solo.

“Esses valores não refletem a realidade do nosso país, já que esses números ocorrem em regiões de clima temperado e de diferentes sistemas de produção animal como, por exemplo, o confinado. No Brasil, onde 85% dos animais são criados a pasto, determinamos um valor 10 vezes menor do que o indicado pelo IPCC”, elucida Arlete.

A pesquisa de Gregori Ferrão segue na mesma direção ao apontar incoerências nos números do IPCC, que subestimam as emissões do óxido nitroso no que diz respeito aos solos agrícolas, onde a aplicação de fertilizantes nitrogenados, necessários às culturas, é a principal responsável pela formação deste gás.

Internacionalmente, a metodologia mais utilizada e aceita pelos técnicos do Painel sobre Mudanças Climáticas para quantificar os fluxos totais de N2O, em uma determinada área não alagada, baseia-se na alteração dos gases no interior de câmaras instaladas sobre o solo.

“Já existem diversos trabalhos que sugerem que as plantas também são agentes desta dinâmica de fluxos entre o solo e a atmosfera. Porém, esse fator não é contabilizado na quase totalidade das pesquisas existentes”, afirma Gregori.

Os resultados de Ferrão apontam que, ao negligenciar esta via emissora, pode-se estar subestimando em até 20% do fluxo total de N2O emitido por área de cultivo. “Pelo método que criamos, encontramos uma defasagem significativa, o que mostra a importância de aferir e calibrar esses dados”, avalia.

Fonte: inovacaotecnologica.com.br

Dakir Larara