Blog do Daka

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Há alternativas ao conceito de desenvolvimento sustentável?

A utopia do desenvolvimento sustentável foi o tema do debate que reuniu cientistas, escritores e até a presidente da República na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília. Em uma das mesas de discussão, o escritor moçambicano Mia Couto criticou a ideia de que a natureza pode ser “controlada, administrada”.

Crítico da ideia de desenvolvimento sustentável, o escritor e também biólogo avalia que a ideia de desenvolver traz uma negação: “Estamos retirando o núcleo central, o ambiente. E essa negação é a negação da identidade cultural dos povos que foram expropriados”. Povos cujos modos de vida poderiam inspirar uma relação do homem com a natureza, que seja baseada no respeito e não na compreensão “de que a natureza pode ser vista como um recurso natural”, segundo Mia Couto.

Para ele, é preciso localizar as razões pelas quais o mundo enfrenta, hoje, uma crise ambiental profunda: “Esse sistema não está mal porque não anda bem. Está mal porque produz miséria, desigualdade, causa ruptura em modos que vida que aí, sim, poderiam ser sustentáveis”.

Comportamento dos seres humanos

O presidente de Gana, Dramani Mahama, que é historiador e especialista em uso de tecnologia para a agricultura, alertou para a necessária mudança no comportamento dos seres humanos. “Se não criarmos uma teoria que nos ajude a sustentar a raça humana no mundo e continuarmos com essas taxas de consumo, o que vai acontecer com a raça humana?”, questionou Mahama, ao destacar que a população joga fora diariamente a mesma quantidade de alimento que consome, e que, por outro lado, falta alimento a parte da população.

“Nós precisamos aprender a existir com todas as espécies em nosso planeta, que é o único que temos. E nós só vamos aprender se mudarmos nosso conceito de felicidade e de bem-estar“, disse ele.

Tecnologia e a inteligência humana

A mudança de paradigma, que conduza a outra relação com a natureza, para os debatedores, deve começar desde já. A tecnologia e a inteligência humana devem ser usadas como ferramentas para a superação da crise atual, e a literatura deve ser capaz de despertar sensibilidades e reflexões.

Mia Couto disse que a literatura pode, desde já, “mostrar que o ambiente não é assim como nós o arrumamos; mas é tudo; não está fora de nós; está dentro de nós. A literatura pode fazer, e deve fazer essa denúncia daquilo que é uma espécie de fabricação permanente da desigualdade e da miséria”, afirmou. Crítico da situação atual, o escritor alertou:

“Nós estamos falando de uma situação que poderá ser catastrófica. Mas para dois terços da humanidade, essa catástrofe já está aqui e vem por causa da fome e da guerra,” concluiu ele.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Abraços

Dakir Larara

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Belo Monte – UFPA revisa número de atingidos por inundações para mais!!!

Estudos feitos por contratada da Norte Energia diziam que alagamento atingirá 16,4 mil pessoas na zona urbana de Altamira, mas pesquisa que adotou apenas referências aprovadas pelo IBGE indica que número de atingidos será de 25,4 mil moradores

O número de moradores de Altamira que serão impactados diretamente pela inundação do lago da usina hidrelétrica de Belo Monte poderá ser 55% maior que o registrado nos estudos de impactos ambientais do projeto, concluiu pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). O levantamento, feito a pedido do Ministério Público Federal (MPF), aponta que o total de pessoas atingidas será de 25,4 mil moradores, e não de 16,4 mil, conforme previsão registrada no relatório de impactos ambientais do projeto.

A discrepância entre os resultados é causada, em resumo, porque os cálculos foram feitos a partir de referências diferentes. Enquanto a UFPA se baseou apenas em um marco topográfico homologado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a equipe contratada pela Norte Energia S.A (Nesa) adotou uma série de outros pontos topográficos que estão desatualizados ou que não são do IBGE. Além disso, esses diversos pontos, tecnicamente chamados de Referências de Nível, não estão ligados entre si.

O ponto do IBGE utilizado nas medições feitas pela UFPA, que fica no 51º Batalhão de Infantaria de Selva, em Altamira, foi estabelecido a partir de medidas de 2009. Já alguns dos pontos do IBGE que a contratada da Nesa alega ter utilizado foram medidos em 1976. Por terem sido estabelecidos a partir de critérios técnicos não mais utilizados no país, o próprio IBGE alerta que tais pontos não são muito precisos. Além de utilizar referências ultrapassadas, a equipe contratada pela construtora de Belo Monte também fez medições com base em pontos que não são do IBGE, e sim da Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab/PA). O problema técnico criado pode ter sido causado, portanto, pelo uso de Referências de Nível heterogêneas, de fontes e épocas diferentes.

Essas duas formas de medir a altura máxima que o lago pode chegar na cidade de Altamira levaram a duas previsões diferentes. Para a UFPA, o nível de segurança de 100 metros abaixo do qual todos os moradores terão que ser retirados pode estar 90 centímetros acima do que calcularam os técnicos e empresas contratados  pela Norte Energia.

Referência internacional – Segundo os relatórios assinados pelos professores de engenharia da UFPA André Augusto Montenegro, Júlio César Aguiar, Evelyn Carvalho e Myrian Cardoso e ainda pela professora da Universidade da Amazônia Andreia Conduru Cardoso, o ponto adotado por eles na pesquisa (chamado tecnicamente de estação geodésica 99510 ou PAAT) é um marco oficial homologado pelo IBGE como referência internacional e estabelecido “dentro das mais modernas metodologias e técnicas, através de equipamentos altamente sofisticados, por equipe de profissionais de formação sólida e altíssima qualidade do IBGE”.

Em contrapartida, representantes da Nesa afirmaram em audiência pública realizada no final de 2011 na cidade de Altamira, que a referência internacional adotada pela UFPA é que é inadequada, errada em sua altura. A Nesa afirmou na ocasião que por causa do erro do IBGE, o cálculo da UFPA é que estaria incorreto. Para que a questão não fique apenas no plano teórico e a controvérsia seja resolvida antes que efetivamente as águas alcancem suas alturas máximas após a construção da barragem, produzindo danos irreparáveis, o relatório da UFPA propõe que a Nesa promova a realização de um estudo transparente e acompanhado pela sociedade.

“Trabalho que poderá ou deverá ser realizado por uma empresa ou em um projeto específico contratado pela Nesa, mas que adote referências confiáveis e seguras, sob o controle da sociedade civil que, em última análise, é quem efetivamente será impactada ou penalizada”, sugere a UFPA, em função dos altos custos que o referido trabalho demanda.

Entenda o caso:

  • Duas equipes técnicas (uma contratada pela construtora da hidrelétrica e outra da UFPA, convidada pelo MPF) utilizaram formas diferentes de calcular a altura que o lago de Belo Monte pode atingir em Altamira na máxima cheia, altura que determina também quantos e quais moradores perderão suas casas.
  • O MPF fez a solicitação de uma medição independente da cota de segurança para alagamentos diante do histórico das usinas hidrelétricas na região amazônica. Em todas houve erros graves na previsão de alagamento.
  • A UFPA diz que o lago pode chegar a um nível cerca de 90 centímetros mais alto que o nível calculado pelos pesquisadores contratados pela Norte Energia.
  • Em vez de impactar 16,4 mil pessoas, conforme cálculo dos contratados da Norte Energia, o lago inundaria uma área onde vivem 25,4 mil pessoas, segundo avaliação da UFPA.
  • Cada uma das equipes de pesquisadores defende suas conclusões dizendo que a referência ou base de cálculo utilizada pela outra equipe não é a mais adequada.
  • Para solucionar as dúvidas, o relatório da UFPA propõe que a Nesa invista em um trabalho aprofundado, rigoroso e independente, talvez a ser desenvolvido sob a tutoria ou fiscalização técnica do próprio IBGE, trabalho que possa ser acompanhado e avaliado pela sociedade. A proposta tem o apoio do MPF.

Veja na íntegra os estudos da UFPA:

* Relatório de 2012

* Relatório de 2011

* Relatório de 2010

Abraços

Dakir Larara


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Aula 1 do Curso de Extensão sobre Licenciamento Ambiental disponível!!!

Alô, alô alunas e alunos do Curso de Extensão de Licenciamento Ambiental: Requisitos Legais, Planejamento e Ações!!!

Está disponível para download imediato, a primeira aula do nosso Curso de Extensão sobre Licenciamento Ambiental referente à Revisão conceitual sobre (meio) ambiente e histórico do processo de licenciamento. Basta clicar no link para efetuar o download da minha aula.

=>AULA 1 – Dakir Larara –  Revisão conceitual sobre (meio) ambiente e histórico do processo de licenciamento<=

Abraços

Dakir Larara


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Sustentabilidade Urbana: muitas vozes por Porto Alegre

Achei importante compartilhar e divulgar para todos vocês!! Beijos e abraços!!!

Por Ana Carolina Martins da Silva*

O Vereador Adeli Sell está promovendo, juntamente com seu Gabinete na Câmara de Vereadores, o Colóquio: Sustentabilidade Urbana: Desafios para Porto Alegre, a se realizar no dia 27 de setembro, às 19h, no Plenário Ana Terra, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre/RS. Estarão presentes à mesa, Dakir Larara, Prof. Dr. (ULBRA): O Espaço Urbano e as Mudanças Climáticas; João Rocket, fundador do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Pampa (IPEP): Soluções Sustentáveis na ótica da Permacultura; a Mediação será de Teresinha Sá, profa. da Rede Municipal e Mestranda em Geografia (UFRGS) e eu abordarei: Políticas Públicas e Sustentabilidade na cidade.

Quando fui convidada para ser uma das painelistas do evento, tive duas sensações imediatas. Uma de pertença: afinal, depois mais de oito anos percorrendo as estradas pelo Estado do RS, em função de meu trabalho na UERGS, agora, eu sou cidadã de algum lugar! A outra foi a da responsabilidade de ganhar espaço de fala. Essas duas sensações me fizeram entrar em contato com coletivos aqui de Porto Alegre e estaduais, com amigos, com meus colegas professores e com meus alunos, solicitando que me dessem suporte para o debate, sugerindo algumas pautas que julgassem imprescindíveis serem abordadas. Desse amplo tema, eu ainda precisava decidir que aspecto iria abordar.

A resposta foi de tanta riqueza e de tanta generosidade em divisão de conhecimento que minha vontade foi de colocar todos à mesa conosco. Richard Bach, num livro chamado “Longe é um lugar que não existe”, encerrou a obra com o seguinte questionamento: “Quando se quer estar com quem se ama, já não se está lá?” Então, espero contar com todos e todas, na terça-feira, no dia 27/9, para que engrandeçam o debate com suas experiências.

Assim, reafirmo o convite e o agradecimento a todos e a todas que contribuíram com nosso trabalho, citando os principais pontos abordados.

– Por projetos de outros prédios autogestionários e sustentáveis no centro de Porto Alegre; Visibilidade ao Projeto Floresta Vertical Urbana, no Coletivo Utopia e Luta, que visa ampliar o Utopia mais três andares de hidroponia como Centro Cultural Público; Por um projeto sustentável ( e de LUTA e RESISTÊNCIA) da cidade.

– Colocar em debate pontos como: a questão da energia solar em construções; o uso de material que tenha maior permeabilidade, do que o asfalto, contribuindo assim com a drenagem urbana; Melhoria nos projetos para as habitações públicas, utilizando as ventilações cruzadas, evitando o consumo excessivo de energia; Incentivo ao uso do transporte público; Incentivo da utilização de matérias provenientes da região e não de matérias de outras regiões, evitando o transporte.

– Atenção especial dos governantes referente à destinação adequada dos resíduos sólidos, conforme preconiza a Lei 12.305/10, que determina a implantação do reaproveitamento e da reciclagem como obrigação para os municípios. Poderíamos retomar o projeto do Ecoparque Resíduos Sólidos, com a finalidade de reaproveitar a fração orgânica (biomassa) através da biodidegestão com a obtenção de energia elétrica. Isso pressupõe um funcionamento efetivo da coleta seletiva em 100% das cidades da RMPA.

– SALVEM AS ÁREAS NATURAIS E RURAIS DE PORTO ALEGRE, URGENTEMENTE!

– Implementação de políticas públicas de proteção ambiental, para evitar a expansão ilimitada das áreas urbanas da cidade, o que acarreta em desaparecimento de biodiversidade de arroios, orla do Guaíba, encostas de morros, paisagem natural e demais itens da biodiversidade associada.

– Sugerimos também que TODOS os vereadores não aceitem mais recursos de campanha eleitoral de parte do Sinduscom e grandes empresas da construção civil e mercado imobiliário de Porto Alegre, senão, na condição de reféns do capital pesado destes setores, as coisas vão continuar como estão…

– Defesa da zona rural de POA, formando um cinturão verde para a área urbana!

– Reforçar a APEDEMA e sua luta: “(…) as entidades ecológicas gaúchas repudiam o processo de fragilização dos conselhos e colegiados de políticas públicas ambientais. A falta de paridade, transparência nos processos e supremacia de interesses que não levam em conta a sustentabilidade ambiental e conservação da biodiversidade. Reafirmam o compromisso de politizar a ecologia e ecologizar a política”. (Manifesto do 28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE) – Viamão, 28 de agosto de 2010) Assembleia Permanente de Entidades de Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS).

– Incentivar e dar visibilidade a ações como a do Movimento “O morro é nosso”, que se tratava da venda inescrupulosa do morro Santa Teresa, impedida pela parceria séria e militante da sociedade organizada.

– Nossa sugestão vai na linha de: Energia, Mobilidade e Saneamento.

– A sustentabilidade urbana também passa pela fiscalização / apreensão de produtos (clorofinas, detergentes, desinfetantes) que estão sendo vendidos de dentro de carros/ônibus/kombi sem licenciamento ambiental.

– Investir em Inovações Tecnológicas que possam mitigar a degradação ambiental. Exemplo: invenção japonesa onde o plástico regressa ao petróleo.
– Fazer com que a ética não seja a principal diferença entre os cidadãos e os políticos. Pensar…e mudar!

– Desvelar os “novos’ e “velhos” sentidos agitados pela sustentabilidade, os quais repõem a continuidade da exploração do capital sobre os países e povos pobres.

– Refletir sobre a diferença entre um desenvolvimento que não agrida o meio ambiente e um que não comprometa o meio ambiente.

– É preciso discutir a apropriação do termo SUSTENTABILIDADE pelo Capital.

– É preciso que a Reforma Urbana não marche sobre a Vida Rural! É preciso que haja uma Reforma Urbana de fora para dentro do Centro, fazendo uma melhor distribuição dos imóveis inabitados.

Essas idéias — que resumi grosso modo — me foram enviadas como contribuição para minha fala, que levará consigo muitas vozes, pelos seguintes cidadãos do mundo, em ordem alfabética: Adriano de Oliveira (Secretario de Formação Política do PT), Aída Mayumi Menezes (Acadêmica de Administração: Sistemas e Serviços da Saúde – UERGS), Antônio Soler (CEA – Via APEDEMA/RS), Darci Zanini (SEMMAM-SL / ANNAMA-RS), Eliane Castro (SEMAPI/POA), Felipe Viana (Instituto Econsciência – Via APEDEMA/RS), Lisiane Becker (Mira Serra – Via APEDEMA/RS), Luciano Accioly Lemos Moreira (Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Faculdade de Letras (FALE), Maceió/Alagoas), Felipe Amaral (BIOFILIA – Instinto de Conservação – Via APEDEMA/RS), Marcelo N.M (COLETIVO UTOPIA E LUTA), Marcos Jakoby (Coletivo Estadual de Formação do PT), Paulo Brack (INGÁ – Via APEDEMA/RS), Paulo Robinson Samuel (Eng. Civil – Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFRGS) e a Thaís Wencze (Profa. Da UERGS – Coordenadora da Unidade de Erechim).

*Profa. da UERGS e ambientalista, Mestre em Comunicação Social

Fonte: http://www.sul21.com.br – artigo na íntegra AQUI.

Segue o flyer para divulgação:


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O Mapeamento da Biodiversidade

Por Cláudia Stefani

Biblioteca da vida 

Mapear a biodiversidade mundial é um dos maiores desafios da ciência. Afinal, o homem conhece mais estrelas no céu do que espécies descritas na Terra. A audaciosa tarefa, porém, foi abraçada nos últimos seis anos por uma rede internacional de pesquisadores cujo objetivo, nada modesto, é contabilizar e descrever todos os seres vivos do planeta – estima-se que apenas 10% das espécies são conhecidas. A forma como isso é feito parece coisa de cinema: um tipo de código de barras identifica cada ser de acordo com seu grupo, criando uma biblioteca genética digital possível de ser acessada por qualquer pessoa no mundo pela internet (www.boldsystems.org). O Brasil, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, entrou na empreitada em dezembro do ano passado, com a Índia e a China.

O Projeto Internacional Barcode of Life (código de barras da vida – iBol, na sigla em inglês) foi iniciado em 2005 com o objetivo de fornecer um sistema de bioindetificação global. O trabalho é relativamente simples e bastante engenhoso. Em vez de sequenciar o genoma completo de cada animal, planta, fungo ou alga, os pesquisadores decifram as letras de um único gene (no caso de animais e plantas são dois ou três) compartilhado pelas diferentes espécies. Desse modo, é possível compará-las e identificar quando se trata de alguma descoberta.

As sequências são enviadas para um banco de dados alimentado por pesquisadores de todo o mundo. Atualizado diariamente, o arquivo tinha mais de 1,7 milhão de registros até abril passado. “De fato, nós descrevemos somente cerca de 1,7 milhão de espécies ao longo dos últimos 250 anos e nem sequer sabemos a ordem de grandeza de quantas espécies existem no planeta. As estimativas variam de 5 milhões a 100 milhões”, diz o pesquisador canadense Robert Hanner, um dos gerentes da iniciativa mundial.

A quantidade de registros no iBol, porém, não significa o número de espécies conhecidas, pois muitas sequências são repetidas e servem para apontar as diferentes áreas de ocorrência de um animal ou planta. As comparações mostram também se uma espécie acaba de ser descoberta. Segundo Hanner, isso resolve erros de identificação, como casos em que dois animais são classificados como sendo o mesmo. O trabalho é feito por pesquisadores especializados em cada grupo de ser vivo e taxonomistas.

Participação nacional – Para acompanhar a empreitada, o Brasil criou a Rede de Pesquisa de Identificação Molecular da Biodiversidade Brasileira (BR-BOL), coordenada pelo biólogo Cláudio Oliveira, do Instituto de Biotecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O grupo nacional tem como meta catalogar em três anos 120 mil exemplares de 24 mil espécies. A tarefa está repartida entre 10 grupos, compostos por especialistas de diversas instituições. “Esperamos chegar a cerca de 10% do que se imagina haver de biodiversidade no Brasil”, conta Oliveira.

A expectativa do coordenador é baseada na identificação básica (coleta e identificação morfológica) que vem sendo feita há décadas pelas instituições brasileiras. “Temos resultados de diversos grupos que antecederam à rede e que, hoje, fazem parte dela. Vamos selecionar tudo que é do Brasil e que está no banco mundial para ter uma ideia do que já foi identificado. A partir daí, vamos acrescentar novas informações”, explica.

O pesquisador Paul Herbert, inventor do sistema Barcode, enxerga o Brasil como a menina dos olhos da rede internacional. “Acredita-se que o país abrigue mais espécies de animais e plantas do que qualquer outra nação, e muitas dessas espécies, como o mico-leão-de-cara-preta e o mico-leão-dourado, só existem no Brasil”, afirma ao Correio. “Além disso, o país tem uma forte capacidade científica nos campos que são centrais para o iBOL (taxonomia, informática e genômica)”, elogia.

Ainda segundo Herbert, o código de barras da vida terá aplicações em todas as áreas da ciência. Será útil, por exemplo, no diagnóstico rápido de espécies que atacam culturas agrícolas ou insetos transmissores de doenças. Também fornecerá informações para programas de conservação e gestão dos recursos naturais. “E dará uma grande ajuda a projetos de bioprospecção e à pesquisa científica de base”, aposta o canadense.

Cláudio Oliveira ressalta que o Brasil também tem muito a ganhar, principalmente na conservação de sua biodiversidade. “Acredito que algumas espécies já desapareceram sem que soubéssemos de sua existência”, lamenta o biólogo. Nesse sentido, o projeto desempenha um papel central, por acelerar o registro das espécies desconhecidas e mapear a distribuição daquelas já identificadas.

O iBOL não é apenas o maior programa de estudo da biodiversidade já realizado, mas um modelo raro de colaboração científica entre pesquisadores de diferentes países. Segundo Oliveira, é a primeira vez que se envolve um número tão grande de cientistas em um estudo. “Com essa abrangência, estamos juntando esforços para gerar resultados importantes para o planeta todo”, comemora o biólogo.

Fonte: Correio Braziliense


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Suécia tem cidade sem lixo

Em Borás, na Suécia, a maior parte dos resíduos sólidos gerados pela população de cerca de 64 mil habitantes é reciclada, tratada biologicamente ou transformada em energia (biogás), que abastece a maioria das casas, estabelecimentos comerciais e a frota de 59 ônibus que integram o sistema de transporte público da cidade.

Borás, a cidade sem lixo, mostra que progresso não precisa produzir sujeira. [Imagem: Wikimedia]

Em função disso, o descarte de lixo no município sueco é quase nulo, e seu sistema de produção de biogás se tornou um dos mais avançados da Europa. “Produzimos 3 milhões de metros cúbicos de biogás a partir de resíduos sólidos. Para atender à demanda por energia, pesquisamos resíduos que possam ser incinerados e importamos lixo de outros países para alimentar o gaseificador”, disse o professor de biotecnologia da Universidade de Borás, Mohammad Taherzadeh.

Taherzadeh falou durante o encontro acadêmico internacional Resíduos sólidos urbanos e seus impactos socioambientais, realizado em São Paulo. Promovido pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Universidade de Borás, o evento reuniu pesquisadores das duas universidades e especialistas na área para discutir desafios e soluções para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, com destaque para a experiência da cidade sueca nesse sentido.

Gestão de resíduos sólidos

De acordo com Taherzadeh, o modelo de gestão de resíduos sólidos adotado pela cidade, que integra comunidade, governo, universidade e instituições de pesquisa, começou a ser implementado a partir de meados de 1995 e ganhou maior impulso em 2002 com o estabelecimento de uma legislação que baniu a existência de aterros sanitários nos países da União Europeia. Para atender à legislação, a cidade implantou um sistema de coleta seletiva de lixo em que os moradores separam os resíduos em diferentes categorias e os descartam em coletores espalhados em diversos pontos na cidade.

Dos pontos de coleta, os resíduos seguem para uma usina onde são separados por um processo óptico e encaminhados para reciclagem, compostagem ou incineração. “Começamos o projeto em escala pequena, que talvez possa ser replicada em regiões metropolitanas como a de São Paulo. Outras metrópoles mundiais, como Berlim e Estocolmo, obtiveram sucesso na eliminação de aterros sanitários. O Brasil poderia aprender com a experiência europeia para desenvolver seu próprio modelo de gestão de resíduos”, afirmou Taherzadeh.

Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro

Em dezembro de 2010, foi regulamentado o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos brasileiro, que estabelece a meta de erradicar os aterros sanitários no país até 2015 e tipifica a gestão inadequada de resíduos sólidos como crime ambiental. Com a promulgação da lei, os especialistas presentes no evento esperam que o Brasil dê um salto em questões como a compostagem e a coleta seletiva do lixo, ainda muito incipiente no país.

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 18% dos 5.565 municípios brasileiros têm programas de coleta seletiva de lixo. Mas não se sabe exatamente o percentual da coleta seletiva de lixo em cada um desses municípios.

“Acredito que a coleta seletiva de lixo nesses municípios não atinja 3% porque, em muitos casos, são programas pontuais realizados em escolas ou pontos de entrega voluntária, que não funcionam efetivamente e que são interrompidos quando há mudanças no governo municipal”, avaliou Gina Rizpah Besen, que defendeu uma tese de doutorado sobre esse tema na Faculdade de Saúde Publica da USP em fevereiro.

Coleta seletiva e reciclagem

Na região metropolitana de São Paulo, que é responsável por mais de 50% do total de resíduos sólidos gerados no estado e por quase 10% do lixo produzido no país, estima-se que o percentual de coleta seletiva e reciclagem do lixo seja de apenas 1,1%.

“É um absurdo que a cidade mais importante e rica do Brasil tenha um percentual de coleta seletiva de lixo e reciclagem tão ínfimo. Isso se deve a um modelo de gestão baseado na ideia de tratar os resíduos como mercadoria, como um campo de produção de negócios, em que o mais importante é que as empresas que trabalham com lixo ganhem dinheiro. Se tiver reciclagem, terá menos lixo e menor será o lucro das empresas”, disse Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Nesse sentido, para Raquel, que é relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos de moradia adequada, a questão do tratamento dos resíduos sólidos urbanos no Brasil não é de natureza tecnológica ou financeira, mas uma questão de opção política. “Nós teríamos, claramente, condições de realizar a reciclagem e reaproveitamento do lixo, mas não estamos fazendo isso por incapacidade técnica ou de gestão e sim por uma opção política que prefere tratar o lixo como uma fonte de negócios”, afirmou.

Produtos verdes

A pesquisadora também chamou a atenção para o fato de que, apesar de estar claro que não será possível viver, em escala global, com uma quantidade de produtos tão gigantesca como a que a humanidade está consumindo atualmente, as políticas de gestão de resíduos sólidos no Brasil não tratam da redução do consumo.

“O modelo de redução da pobreza adotado pelo Brasil hoje é por meio da expansão da capacidade de consumo, ou seja: integrar a população ao mercado para que elas possam cada vez mais comprar objetos. E como esses objetos serão tratados depois de descartados não é visto como um problema, mas como um campo de geração de negócios”, disse.

Na avaliação de Raquel, os chamados produtos verdes ou reciclados, que surgiram como alternativas à redução da produção de resíduos, agravaram a situação na medida que se tornaram novas categorias de produtos que se somam às outras. “São mais produtos para ir para o lixo”, disse.

Gaseificadores

Uma das alternativas tecnológicas para diminuir o volume de resíduos sólidos urbanos apresentada pelos participantes do evento foi a incineração em gaseificadores para transformá-los em energia, como é feito em Borás. No Brasil, a tecnologia sofre resistência porque as primeiras plantas de incineração instaladas em estados como de São Paulo apresentaram problemas, entre os quais a produção de compostos perigosos como as dioxinas, além de gases de efeito estufa.

Entretanto, de acordo com José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, grande parte desses problemas técnicos já foi resolvida. “Até então, não se sabia tratar e manipular o material orgânico dos resíduos sólidos para transformá-lo em combustível fóssil. Mas, hoje, essa tecnologia já está bem desenvolvida e poderia ser utilizada para transformar a matéria orgânica do lixo brasileiro, que é maior do que em outros países, em energia renovável e alternativa ao petróleo”, destacou.

Abraços

Dakir Larara


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Aula 3 e 4 de Gerenciamento Ambiental disponível!

Alô, alô alunas e alunos ds Gerenciamento Ambiental Municipal e Regional!!!! Terceira e a quarta aula (aula final) da disciplina do nosso Pós já estão disponíveis para download imediato. É só clicar nos links abaixo.

->Aula 3<- Indicadores Ambientais de Planejamento; Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental

->Aula 4 Final<- Alguns princípios e regras da tomada de decisões; O estudo da bacia hidrográfica como unidade de análise e gestão integrada e A Geomorfologia Ambiental

Abraços

Dakir Larara