Blog do Daka

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Sou professor e quero mais que parabéns, por Mestre Yoda.

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Olá pessoas! Adorei o texto e estou compartilhando com vocês as ideias sobre o “dia do professor”, nas palavras do Mestre Yoda. Espero que gostem!!!

Por Mestre Yoda (Artigo na íntegra AQUI)

A educação visa melhorar a natureza do homem, o que nem sempre é aceite pelo interessado (Drummond).

No Brasil, fala-se elogiosamente do professor japonês e, de modo quase apiedado, do professor brasileiro. A constante menção, em nosso cotidiano, ao tratamento dado aos professores pela sociedade japonesa, é bastante esclarecedora das diferenças entre as duas sociedades e, claro, entre os professores nestas sociedades. Admirar o tratamento reverente e respeitoso dos japoneses aos senseis nunca tornou melhor a relação entre os brasileiros e seus professores. Pelo contrário, conhecer alguns elementos da nossa própria história, pode melhorar nossa compreensão sobre estas questões.

E já que estamos falando do dia dos professores, ressalte-se que esta data, instituída por D. Pedro I, em 1827, apesar de antiga, em geral, nunca foi assim tão prestigiada. Mais de um século depois, entretanto, o artigo 3º. do Decreto Federal 52.682 de 1963 passou a estabelecer que: “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”. Não seria capaz de precisar qual a efetividade do decreto no momento de sua criação, mas a realidade da maioria das escolas de hoje, Brasil afora, é de pouca participação das famílias, tanto em datas comemorativas quanto em outros momentos cotidianos. Como, por um lado, já integrei uma associação de pais e costumo frequentar reuniões entre pais e mestres e, por outro, por ser professor, também posso compreender certos problemas por outra ótica, percebo a existência de conflitos por responsabilidade de ambos os lados: de professores e familiares.

Se, para muitos professores, há pouca disposição para o diálogo e para receber críticas, muitos pais, por sua vez, são descomprometidos e atribuem à escola responsabilidades sobre tarefas que deveriam, eles próprios, realizar. Muitos docentes consideram a participação dos pais como uma invasão indevida de “leigos” e são pouco compreensivos quanto à impossibilidade de pais trabalhadores disporem de tempo livre, tanto para participar de reuniões quanto para acompanhar a tarefa escolar de seus filhos (algumas vezes também por desconhecimento dos conteúdos). Raros são os docentes que valorizam a participação dos pais nas discussões de cunho pedagógico (quadro diferente se o assunto for alguma festa) e estes, por serem minoritários, quase nunca conseguem promover tal participação.

Entre os pais de classe media, por outro lado, ainda que a falta de tempo possa ser um problema, o comportamento workaholic de muitos, sobretudo funcionários públicos, comerciantes e executivos, é um problema de magnitude equivalente. Numa experiência pessoal, participando da coordenação de uma associação de pais, numa escola cujos estudantes são filhos de universitários, estudantes e funcionários, foi possível perceber a mesma negligência relatada por professores e pais de escolas regulares, tanto públicas quanto particulares. Muitos, como reis em carruagens, deixam o filho na porta da escola e exigem que “alguém” abra o portão e, na saída, buzinam de modo ainda mais pungente caso o filho não seja liberado imediatamente pela escola. Qualquer outra responsabilidade atribuída a eles, pelo corpo pedagógico, é considerada um aborrecimento sem sentido.

Não poderia deixar de falar também, é claro, num texto alusivo ao dia dos professores, da questão salarial e da falta de envolvimento da sociedade com esta questão, sem deixar de fazer menção, apesar disso, ao fato de que a maioria da população ganha ainda menos e, mesmo assim, não consegue mobilizar-se para reverter este quadro. Mesmo em contextos como a greve dos professores do Paraná, em que o apoio da população ao movimento, revelado por pesquisa encomendada pela Gazeta do Povo, foi de 90,0%, o efetivo envolvimento de pais e da comunidade escolar foi, em geral, pequeno. A maioria dos paulistas viu (pela TV, sentada na sala de estar) o governo tucano esmagar uma forte greve de professores, sem oferecer seu apoio ao movimento. No caso do ensino superior, o quadro ainda é mais grave, pois, além de não apoiar a greve, grupos de estudantes conservadores organizaram-se, em certas instituições, para lutar contra o movimento.

No caso dos professores da educação básica, se o estabelecimento do piso salarial, em 2008, inicialmente, em estados com forte arrocho no salário de seus docentes, propiciou aumento efetivo, ao longo do tempo, tal política possibilitou que alguns governadores e prefeitos confundissem (conscientemente) piso com teto, achatando a malha salarial. Atualmente, os salários mais baixos pagos a professores no Brasil (para regimes de 40h) encontram-se nos estados de Santa Catarina (R$ 1.917,78), Pará, Ceará (apenas R$10 reais a mais do que em SC) e Bahia (também abaixo dos R$2 mil). Em média, no Brasil, paga-se R$2.711,48 para o professor com diploma de licenciatura, em regime de 40 horas semanais, o que equivale a 57,0% menos do que o salário médio de outros trabalhadores com formação equivalente (R$ 4.726,21). Talvez nem fosse preciso, mas vale lembrar que o salário do professor é considerado muito baixo não somente em relação a outros profissionais, mas também em relação ao de professores de outros países, sendo um dos mais baixos do mundo, seis a sete vezes menor do que o salário de um professor holandês ou suíço.

Na prática, nem a Lei no. 11.738, que estabeleceu o piso, nem a resolução no. 7 de 2012, do MEC, que trata do uso de parcela dos recursos do FUNDEB para o pagamento do piso salarial dos professores, melhorou efetivamente os salários, que continuam sendo mantidos abaixo do que seria razoável, pelo descompromisso de governadores e prefeitos, que usam os recursos da educação para fins ilícitos, como as suas próprias campanhas eleitorais. No caso do ensino superior brasileiro, que, atualmente, exige maior titulação de seus docentes, a política de arrocho salarial é idêntica, embora tenha havido, nos últimos anos, maiores perdas salariais e maior precarização das condições de trabalho quando comparados aos colegas da educação básica. Se, em grande medida, a falta de envolvimento da população com tais questões é reflexo, inclusive, da despolitização de professores e da própria escola, de seus conteúdos e práticas, é no contexto de um devir Brasil, de um país em franco processo de politização que chegamos a este dia dos professores.

Por isso, mais do que abraços e parabéns, a seguir, listo uma sugestão de presentes para os mestres, nesta data: 1) mais do que fiscalizar as leituras de seus filhos, leia e pratique com eles, diariamente; 2) ao chegar à escola, estacione o carro corretamente e com calma, saia do veículo, entre pelo portão e converse, ao menos uma vez por semana, com @ professor(a) d@ seu(ua) filh@; 3) busque envolver-se com o cotidiano da escola; 4) apoie e envolva-se com a luta por salários e melhores condições de trabalho dos professores, esta não é uma luta exclusiva de nossa categoria, deve ser uma luta cotidiana de tod@s @s brasileir@s.

Feito isso, até mesmo um simples “parabéns, professor”, ao invés de uma expressão vazia e repetitiva, ganhará outro significado para você e para nós, professores.

Abraços

Dakir Larara

Autor: Dakir Larara

Geógrafo, Professor universitário, pai das lindas Dandara e da recém chegada Anahí e, claro, marido da amada Maíra.

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