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Crônica de um GreNAL cheio de reviravoltas

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Tem razão Zé Roberto: o futebol é fascinante porque é um dos poucos esportes que permitem a recuperação rápida, muitas vezes no próprio jogo.

No Gre-Nal decisivo deste domingo (15 de maio de 2011), por exemplo, dois destes personagens se destacaram: Renan, candidato a vilão depois de falhar no segundo gol do Grêmio (que levou a decisão do Gauchão para os pênaltis), defendeu três das sete cobranças; e Zé Roberto, olhado com desconfiança pelo torcedor do Inter, mudou a cara do time ao entrar em campo aos 28 minutos do primeiro tempo e bateu o pênalti que garantiu a vitória de 5 a 4 na série (3 a 2 para o Inter no jogo), a conquista do título do Gauchão e a festa dos jogadores no palco armado (foto) no gramado do Olímpico.

Zé Roberto começou a surgir como personagem quando o técnico Falcão corrigiu um erro grave de avaliação ao escalar o time. Ele mudou o esquema e escalou Juan na lateral-esquerda, na esperança de que Kleber pudesse render mais ao ser adiantado. Nada disso funcionou.

O Inter parecia perdido, sem saída de seu campo, com a defesa insegura e absolutamente impotente diante da troca de passes rápidas dos jogadores do Grêmio. O que parecia difícil para o Inter – vencer o velho rival por dois gols de diferença, depois da derrota de 3 a 2 na primeira partida – ficou ainda mais complicado aos 15 minutos, quando Douglas fez um lançamento excepcional e encontrou Lúcio livre, atrás dos zagueiros. Ele esperou o melhor momento e concluiu na saída de Renan, fazendo 1 a 0.

Três minutos mais tarde, Renan fez grande defesa, evitando o gol de Viçosa, e aos 24, Douglas chutou com perigo, de longe. O Grêmio seguia bem melhor.

Então, aos 28 minutos, Falcão começou a corrigir seu equívoco: mandou Zé Roberto (na foto, ao vibrar com o gol do último pênalti)entrar em lugar de Juan. Até a escolha foi olhada com desconfiança: por que Zé Roberto, que praticamente não foi utilizado por Falcão, e não Oscar? Bastaram poucos minutos para que Zé Roberto provasse que a escolha tinha sido acertada.

Quem anotou os lances percebeu isso claramente: Zé Roberto entrou aos 28; aos 29, Damião obrigou Victor a grande defesa; aos 31, Zé Roberto começou a jogada pela esquerda e, ao receber a bola, Damião girou sobre o marcador e concluiu rasteiro, empatando o Gre-Nal; aos 34, Leandro concluiu pela única vez para o Grêmio neste período; e aos 45, no último lance, depois de escanteio, Andrezinho pegou a bola fora da área e, de chapa do pé direito, acertou o canto esquerdo de Victor, virando o Gre-Nal.

Portanto, em pouco mais de 15 minutos, a partir de uma correção de erro, o Inter saiu de um momento de instabilidade, de derrota e virou para 2 a 1 ainda no primeiro tempo.

No segundo tempo, Andrezinho foi substituído logo aos quatro minutos por sentir dores na perna. Passou por um teste no vestiário, achou que poderia resistir, mas entrou no gramado já mancando. Oscar foi outro acerto de Falcão. Deu mais movimentação em campo e velocidade ao ataque.

Damião perdeu o terceiro gol aos 11, em outra jogada de Zé Roberto, mas o Grêmio reagiu e o clássico ficou equilibrado e empolgante neste período. O Grêmio teve chances aos 12 (Viçosa) e 18 (Douglas), mas sua defesa cometeu um vacilo espantoso aos 27 minutos: ficou parada na cobrança de lateral, Zé Roberto entrou na área, driblou Victor e sofreu pênalti. Ele mesmo, Zé Roberto. Na cobrança, o argentino D’Alessandro chutou com precisão e fez o terceiro.

O resultado era o que o Inter buscava para ganhar o título: virada, dois gols de diferença e bem mais seguro em campo. Os dois times passaram a atacar o tempo todo e transformaram este Gre-Nal num dos melhores dos últimos anos. Então, quando a partida parecia se encaminhar para a decisão a favor do Inter, o segundo personagem da partida apareceu: em um cruzamento, Renan subiu, defendeu sem dificuldade, mas ao descer bateu em Índio e deixou a bola escapar. Borges, que entrara pouco antes, bateu para o gol vazio e fez o segundo do Grêmio.

Os 3 a 2 levariam para a série de cobranças da marca do pênalti, mas os times não desistiram. Zé Roberto quase marcou aos 43, ao chutar de longe e forçar Victor a uma grande defesa, e o Grêmio respondeu aos 46, já nos acréscimos, quando Douglas fez a jogada, passou a Lins, mas o atacante chutou por cima.

Fim de clássico, um jogo empolgante. Foram 10 gols em dois Gre-Nais decisivos do Gauchão. Ou seja: mesmo com avaliações eventualmente equivocadas, os dois técnicos gostam do ataque – e seus times perseguem a vitória, mesmo em um clássico.

Leandro Vuaden, o árbitro, seguiu o critério de Márcio Chagas, tão criticado no Gre-Nal da Taça Farroupilha por escolher a goleira perto das torcidas dos dois times, e escolheu a da esquerda das cabinas, onde havia gremistas e colorados.

Na cobrança, os personagens mais uma vez se destacaram. Os pênaltis, três deles defendidos por Renan (na foto, um deles) foram assim:

1 a 0: Douglasbate no canto esquerdo

1 a 1: D’Alessandro chuta alto, no ângulo esquerdo

1 a 1: Magrão bate e Renan defende no canto direito. Foi sua primeira defesa

1 a 1: Damião também erra. O chute é defendido por Victor no canto direito

2 a 1: Fábio Rochemback bate na direita e vira para o Grêmio

1 a 2: Kleber bate no canto direito, Victor faz sua segunda defesa e mantém a vantagem do Grêmio

2 a 1: Lúcio chuta forte, mas Renan defende de novo, no canto esquerdo

2 a 2: Oscar bate bem, na direita, e empata a série de pênaltis para o Inter

3 a 2: Lins chuta alto, no meio do gol, e faz o terceiro do Grêmio

3 a 3: Bolatti bate no canto esquerdo, Victor chega a tocar na bola, mas não evita o empate

A partir daí, as cobranças passaram a ser alternadas:

4 a 3: Rodolfo bate bem, de pé esquerda, no canto esquerdo

4 a 4: Nei chuta bem e empata de novo

4 a 4: Adílson chuta no canto direito e Renan faz sua terceira defesa nos pênaltis

5 a 4: Zé Roberto, para completar sua grande atuação, cobra com categoria e define a vitória e a conquista do título do Gauchão pelo Inter.

Por Mário Marcos

Fonte: http://www.mariomarcos.wordpress.com

Autor: Dakir Larara

Geógrafo, Professor universitário, pai das lindas Dandara e da recém chegada Anahí e, claro, marido da amada Maíra.

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