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Modelos meteorológicos sugerem furacão na costa do AtLântico Sul

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A instabilidade aumentou muito nas últimas horas no litoral do Espírito Santo e foram registrados volumes muito elevados de precipitação em algumas localidades com danos e transtornos para a população. Acumulados de até 100 milímetros foram registrados. Em Vitória, a chuva da tarde que se prolongou até a noite deste sábado causou inúmeros pontos de alagamentos (reprodução do jornal Gazeta).

A instabilidade segue muito desorganizada na área onde se encontra a depressão tropical 90Q, mas nas últimas 12 horas a convecção aumentou significativamente na região, o que é crucial para a gênese de um ciclone de natureza tropical. Der acordo com o último best track disponível para este sistema e atualizado agora à noite, a depressão tropical está agora a 20º de latitude Sul e 40,2º de longitude Oeste com pressão de 1006 hPa, 1 hPa mais alta que durante a tarde do sábado e ainda com vento estimado em 30 nós.

Os modelos globais seguem indicando a tendência deste sistema se intensificar durante este começo de semana à medida que se afasta da costa. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) está rodando o modelo GFDL – desenhado para acompanhar ciclones tropicais – a fim de monitorar esta depressão tropical na costa brasileira e, pela última rodada, da tarde do sábado, a trajetória é de afastamento do litoral brasileiro ao longo da semana.

O deslocamento deve ser razoavelmente lento deste sistema, o que vai permitir que ele se intensifique ao avançar sobre águas mais quentes. Estando corretos os modelos e o centro de baixa pressão se deslocando para Leste, ele passará por uma região do Atlântico Sul em que a temperatura da superfície do mar está entre 28ºC e 29ºC, valores de TSM mais do que suficientes para suportar um ciclone tropical.

Há modelos que não intensificam muito esta área de baixa pressão na costa capixaba, mas o problema é o conjunto de modelagem numérica que sinaliza o oposto, intensificação e importante deste sistema no Atlântico Sul. Dois modelos, em particular, foram bastante agressivos em suas últimas saídas, o global GFS e o GFDL. Ambos indicaram o potencial deste sistema adquirir status de furacão no Atlântico, mas a uma grande distância da costa do Brasil (área assinalada em vermelho).

O GFS chegou a projetar vento consistente com um furacão categoria 1 na escala Saffir-Simpson entre terça e quarta-feira enquanto o GFDL (projeção abaixo) indicou potencial até para um furacão no limite das categorias 1 e 2 (semelhante ao que se viu no Catarina no instante que chegou à costa em 28/3/2004) para dentro de 126 horas após a inicialização da tarde deste sábado, ou seja, para a noite de quinta-feira.

A expectativa é que este ciclone comece a ficar mais definido nas próximas 48 horas e que entre terça e quinta-feira, em mar aberto, esteja mais intenso e com possível status de tempestade tropical. As soluções apresentadas pelos modelos GFS e GFDL, contudo, não podem ser desprezadas. A grande questão até que ponto este sistema pode se organizar e se intensificar no Atlântico Sul. Não se tem um histórico para avaliação de performance de modelos neste tipo de sistema na região, mas no caso do Atlântico Norte há tendência observada do GFDL superestimar não raro em suas projeções a intensidade dos sistemas (leia trabalho). Mais do que isso, mesmo no Atlântico Norte, onde tais modelos têm skill conhecido, é alta a incidência de erros em trajetória e magnitude, o que faz com que o NHC em seus prognósticos trabalhe com o conceito de “cone de incerteza”.

A grande preocupação, conforme a MetSul Meteorologia insiste, é chuva forte associada ao sistema neste começo de semana no Sudeste do Brasil, especialmente concentrada no Norte do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Seguem as condições favoráveis para volumes até extremos com risco de alagamentos ou até mesmo inundações severas localizadas. Se um ciclone tropical mais intenso se formar, conforme todos os modelos que projetam este cenário, tal condição se verificaria em mar aberto a uma maior distância da costa, o que é perigoso para a navegação transcontinental ou interesses situados em mar aberto como plataformas de petróleo. O avanço de ar mais frio e de alta pressão pelo Leste do Sul do Brasil tende a impedir uma trajetória deste sistema em direção ao litoral do Sul, logo não se vislumbra de momento risco para as costas gaúcha, catarinense e paranaense.

Ao contrário do que alguns meios têm informado, apenas um furacão se formou até hoje no Atlântico Sul na era observacional. Foi o Catarina de março de 2004 que atingiu os litorais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tempestades tropicais, ou seja, ciclone tropical em estágio anterior a furacão (65-120 km/h), já ocorreram em maior número. Em abril de 1971 um sistema tropical se formou na costa de Angola que muitos consideram ter sido uma tempestade tropical. Outra foi observada a cerca de 300 quilômetros a Sudeste de Salvador na Bahia em janeiro de 2004. Em fevereiro de 2006, tempestade tropical atuou na costa do Sul do Brasil e o vento máximo teria atingido até 100 km/h em mar aberto. E, em março de 2010, sob temperatura em níveis recordes de temperatura da superfície do mar no Atlântico Sul, formou-se uma muito bem organizada tempestade tropical na costa do Sul do Brasil que foi designada Anita. Apesar de não ser possível afastar que mudanças climáticas possam estar contribuindo para maior incidência deste tipo de fenômeno, o mais provável é que a crescente atenção que vem sendo dada a fenômenos desta natureza esteja gerando uma percepção de aumento de sua freqüência.

Fonte: MetSul Meteorologia

Autor: Dakir Larara

Geógrafo, Professor universitário, pai das lindas Dandara e da recém chegada Anahí e, claro, marido da amada Maíra.

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