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Ciência ambiental: não troque as sacolas plásticas ainda

4 Comentários

Bio é sempre bom?

Os sacos plásticos estão literalmente por toda parte. Embora aqueles usados para embalar produtos nos supermercados sejam o alvo preferencial dos ambientalistas, eles estão em praticamente todos os produtos vendidos no comércio. Infelizmente, eles estão também pelas ruas, bueiros e nos lixões, uma vez que a estrutura de reciclagem é muito deficiente.

As sacolas de bioplástico somente podem ser consideradas ambientalmente amigáveis se o processo de produção for feito utilizando energias renováveis. [Imagem: AStar]

A substituição desses sacos plásticos por bioplásticos tem sido alvo de grandes discussões, havendo pesquisadores que afirma que as “leis das sacolas plásticas” erram o alvo.

Contudo, os reais benefícios ambientais, assim como eventuais desvantagens, da substituição dos plásticos por bioplásticos ainda não estão totalmente claros. Por isso, Hsien Hui Khoo e seus colegas do Instituto de Engenharia e Ciências Químicas de Cingapura decidiram fazer uma avaliação do ciclo de vida das sacolas feitas com bioplásticos para verificar se elas são mesmo boas para o meio ambiente.

Avaliação do ciclo de vida

A avaliação do ciclo de vida (ACV) é uma técnica usada para analisar os impactos ambientais associados a todas as fases de um processo produtivo, com a elaboração de um inventário da energia e dos recursos consumidos e das emissões e dos resíduos gerados na produção de um determinado produto.

Os pesquisadores usaram a ACV para comparar o uso de sacolas feitas de polihidroxialcanoato (PHA) – um bioplástico à base de amido de milho – em relação às tradicionais sacolas de polietileno. O polietileno é atualmente o material mais usado para a fabricação de sacos de plástico.

A produção de sacos de polietileno requer a extração e refino de combustíveis fósseis, a conversão dos combustíveis fósseis em polietileno e a extrusão do polietileno em sacos plásticos. Os pesquisadores calcularam que 1,22 kg de petróleo bruto, 0,4 kg de gás natural e 48 megajoules de energia são necessários para produzir 1 kg de sacolas de polietileno.

O PHA, por outro lado, é um bioplástico feito a partir do amido de milho. A produção das biossacolas de PHA envolve o cultivo de milho, colheita, moagem úmida e fermentação. Os pesquisadores calcularam que 4,86 kg de milho e 81 megajoules de energia são necessários para produzir 1 kg de sacolas de PHA.

Desafios para os bioplásticos

De forma sobremaneira inesperada, Khoo e sua equipe descobriram que a energia consumida na produção das sacolas de PHA é 69% maior do que a energia gasta na fabricação das sacolas de polietileno. Embora o cultivo de milho possa ajudar a compensar emissões de carbono através da fotossíntese, os pesquisadores descobriram que a fabricação das sacolas de bioplástico exige maior consumo de energia durante a produção em comparação com produção de sacolas de polietileno.

Eles concluem que os sacos de PHA somente podem ser considerados ambientalmente amigáveis se o processo de produção for feito utilizando energias renováveis. Finalmente, os cientistas advertem que, antes que os biomateriais sejam considerados como alternativas sustentáveis aos plásticos convencionais, alguns desafios precisam ser superados: “A questão principal reside na redução da demanda de energia para a conversão da biomassa em materiais com propriedades semelhantes às dos plásticos,” afirmaram.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Autor: Dakir Larara

Geógrafo, Professor universitário, pai das lindas Dandara e da recém chegada Anahí e, claro, marido da amada Maíra.

4 pensamentos sobre “Ciência ambiental: não troque as sacolas plásticas ainda

  1. Comprei uma sacola de pano no Nacional para levar as minhas compras, e a moça do caixa quis colocá-la dentro de uma sacola plástica…

    Com sacola biodegradável ou de plástico, sem instrução e conscientização, não tem como salvar o planeta.

  2. Essa revolução que estão falando, ciência da convergência ou terceira revolução, autores da convergência, procede ? no que diz respeito a uma nova forma de pensar tecnologia.

    • Olá Ricardo!! Desculpe a demora na resposta. É que estou retornando de férias somente hoje e agora que vi o teu comentário.

      Não sei se entendi bem o que falas, mas creio é de extrema importância que ocorra uma ação sinérgica dos quatro campos científicos e tecnológicos que apresentaram crescimento acelerado nas últimas décadas: a nanotecnologia, a biotecnologia, as tecnologias de comunicação e informação e as ciências cognitivas (neurociência). A esta convergência/sinergia temos o nome de Convergência Tecnológica.

      Temos de fazer com que o processo produtivo trabalhe de forma mais integrada para minimizar os impactos ao ambiente, até desenvolvermos e encontramos mmatrizes energéticas mais sustentáveis do que temos hoje.

      Abração

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